Quem se interessa por educação, está acompanhando a crise atual na França, envolvendo estudantes de ginásios e colégios. E alguns mais idosos, como eu, se perguntam se a atual rebelião estudantil tem alguma coisa a ver com a revolta de Maio de 68?
Por Rui Martins, editor do Direto da Redação

Mas, numa tentativa de ligeira comparação entre Maio 68 e Setembro-Outubro 2026, vejo enormes diferenças: Maio 68 paralisou a França, uniu movimentos estudantis com sindicatos e movimentos operários e envolvia principalmente universitários. Maio 68 era uma revolta ideológica da juventude contra a sociedade e os hábitos e comportamentos arcaicos da época. Soprava o vento do maoismo, os jovens queriam liberdade sexual e o amor livre. Depois da ocupação da Universidade de Nanterre, na periferia, com a liderança do líder anarquista Daniel Cohn-Bendit, os universitários retornam a Paris e ocuparam a Sorbonne.
Mas os estudantes conseguiram reformas na Universidade e a França entrou na era da modernização, com o surgimento da luta pelo direito das mulheres, o direito ao aborto e um diminuição da influência da igreja católica.
A atual crise é administrativa e por reformas na estrutura dos liceus e colégios. Não tem palavras de ordem libertárias mas exige reformas nos prédios escolares, mais professores, melhor ensino e segurança nas classes. Depois das manifestações, o primeiro-ministro francês anunciou na televisão ceder aos estudantes em todas reivindicações como mais professores e reformas nos prédios escolares. Isso implicará num aumento nos salários dos professores, uma das profissões mais mal pagas na França.
A vitória da dinastia Bolsonaro no Primeiro
Esse o destaque internacional, enquanto no Brasil a apuração dos votos no Primeiro Turno Eleitoral mostrou o fracasso das sondagens ou prévias eleitorais, que fizeram Lula, o PT e os petistas descuidarem da necessidade de uma campanha eleitoral mais decisiva, acreditando numa vantagem eleitoral inexistente. Havia essa intenção nos institutos promotores das sondagens ou houve erro na escolha dos entrevistados? Fica a pergunta, não há resposta.
A realidade hoje é a necessidade do presidente Lula conseguir mais de três milhões de votos entre os que se abstiveram de votar dia 4. Vai conseguir? Não é impossível, mas será bem difícil.
Caso contrário, tudo quanto foi feito no passado, não só durante os governos de Lula e do PT, mas inclusive de Vargas, em favor dos trabalhadores, dos estudantes, das mulheres e dos estudantes poderá ser retirado em nome do empreendorismo, de gastos supérfluos, de incentivo à preguiça, sempre se achará uma justificativa.
Nas redes sociais, muitos se surpreendem com o suicídio eleitoral de pobres, pretos, pardos, mulheres, idosos votando contra as leis e medidas que lhes tinham ajudado a viver melhor, a ter melhores escolas para seus filhos, a ter remédios, assistência médica, hospitalar.
Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.