Os Estados Unidos, que reforçaram seu contingente no Afeganistão para caçar Osama bin Laden e outros militantes, podem reduzir sua presença no país após a realização das eleições afegãs, disseram importantes fontes militares nesta sexta-feira.
O general Richard Myers, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, disse que as tropas norte-americanas no Afeganistão estão se mobilizando para eliminar os militantes da Al Qaeda e seus aliados do Taliban antes das eleições de setembro.
``Estamos tentando garantir que não haja mais violência até chegarmos às eleições'', disse Myers logo depois de desembarcar em Cabul, vindo do Iraque, para acompanhar de perto as operações militares.
``Então estamos um pouco mais fortes, um pouco mais robustos do que estávamos. É bem possível que a gente possa depois voltar a números menores'', disse ele a jornalistas. ``Vamos ver como os eventos se desenrolam. Acho que no geral a maior parte do país está bastante segura, na verdade.''
Uma fonte militar dos EUA em Cabul disse que 2.000 marines que estão desembarcando no Afeganistão serão enviados à província de Kandahar, no sul, e a Tirin Kot, localidade 350 quilômetros a sudoeste da capital.
Ambas são áreas em que a milícia do Taliban, derrubada do poder em 2001, permanece ativa. Com os novos desembarques, o contingente norte-americano no Afeganistão salta de 11 mil a 15.500.Myers visitou o Afeganistão um dia depois de emissoras árabes divulgarem uma fita atribuída a Bin Laden na qual ele renova as ameaças aos EUA e a Israel.
A violência no sul e no norte e os grandes desafios logísticos forçaram o presidente afegão, Hamid Karzai, a adiar as eleições de junho para setembro. Myers disse que os reforços enviados ao Iraque, onde há uma onda de violentos combates, não vai reduzir a capacidade operacional dos EUA no Afeganistão.
O tenente-general David Barno, comandante das tropas norte-americanas no país, elogiou os esforços do vizinho Paquistão para reprimir militantes islâmicos no seu lado da fronteira.
``O inimigo percebe que vir ao Afeganistão os coloca contra uma força com uma séria capacidade de encontrá-lo e destruí-lo. Os terroristas estão preocupados em cruzar a fronteira porque sabem que vamos martelá-los quando chegarem aqui.''
Cerca de 5.000 militares paquistaneses participaram no mês passado de um cerco a militantes da Al Qaeda e de outros grupos numa região tribal fronteiriça com o Afeganistão. As autoridades de Islamabad chegaram a apontar a presença do braço-direito de Bin Laden, Ayman Al Zawahri, na região.
``Haverá mais operações'', disse Myers a respeito da presença militar paquistanesa na fronteira. ``Não tenho certeza se eles estão fazendo alguma neste minuto, mas acho que você pode antever que não levará muito tempo até fazerem.'' Sempre há a caçada a Osama bin Laden. Temos gente que passa um monte de tempo se preocupando em saber onde ele está, onde está Al Zawahri, onde está a cúpula da Al Qaeda'', afirmou o general. ``Estamos aí em patrulhas na região da fronteira, agressivamente, todos os dias.''