Tanto Lula quanto Paes e Padilha apontaram o pré-candidato à Presidência da República como responsável por influir, diretamente, em contratos da unidade hospitalar durante o período de abandono da instituição.
Por Redação – do Rio de Janeiro
Ao inaugurar o setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, hoje completamente restaurado após anos de abandono, nesta sexta-feira, tanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes, quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pouparam o senador Flávio Bolsonaro (PL), conhecido como filho ’01’, de uma série de denúncias por má gestão no setor. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, presente à solenidade, confirmou a existência de uma série de questionamentos, hoje na esfera jurídica do Ministério, sobre desvios na unidade.

Tanto Lula quanto Paes e Padilha apontaram o pré-candidato à Presidência da República como responsável por influir, diretamente, em contratos da unidade hospitalar durante o período de abandono da instituição, no governo do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL).
O prefeito Eduardo Paes e o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, foram incisivos ao afirmar que ’01’ beneficiava fornecedores de alimentação para funcionários e pacientes do Hospital do Andaraí; além de cobrar pelo estacionamento na unidade, tanto dos médicos quanto dos familiares que visitavam o local.
— A cozinha desse hospital estava fechada há 12 anos porque era muito mais negócio, em vez de gastar R$ 8 milhões para fazer uma obra, ficar gastando R$ 1 milhão por mês para trazer o transporte das quentinhas que vinham para cá. Devia dar muito mais comissão para quem tinha esses contratos — apontou o prefeito.
Milícia
O ministro Alexandre Padilha, por sua vez, também denunciou o sucateamento dos hospitais federais do Estado. Sem citar diretamente o senador, Padilha disse que uma tradicional família de políticos do Rio de Janeiro tinha método ao promover o abandono do setor.
— Dominavam os hospitais federais do Rio de Janeiro do contrato, da indicação do diretor até a indicação de quem internava e quem não internava. Por isso queriam que esses hospitais não funcionassem, fosse o próprio caos, sucateado. Não era só desleixo, não era só negligência. Tem uma família que é responsável por esse projeto e que torço, tenho fé e vamos trabalhar muito, que nunca mais essa família imagine querer cuidar da saúde do nosso país, como aconteceu durante a pandemia — acrescentou.
Lula, ao assumir a palavra, também não citou diretamente o adversário político, mas jogou uma indireta ao questionar se a milícia armada, que controla extensos territórios no Estado do Rio, também atuava no Hospital do Andaraí, ao cobrar pelo estacionamento da unidade.