<i>Cléopatre</i>, filme rodado por Georges Mélies em 1899 e que até então era considerado perdido, estava há 70 anos em um armazém secreto onde acaba de ser encontrado, informaram
hoje os descendentes do cineasta francês.
A fita redescoberta tem duração de dois minutos e ocupava o número 202 no catálogo das 520 obras criadas por Georges Mélies (1861-1938), pioneiro do cinema, em cujas oficinas inventaram as técnicas usadas pela indústria cinematográfica durante décadas, muitas delas até hoje.
Desenhista, ilusionista, proprietário do teatro Robert Houdin de Paris, o cineasta impulsionou ua infinidade de gêneros cinematográficos, da ficção científica à publicidade, desde que rodou em 1896 seu primeiro filme, poucos meses após ter assistido à estréia das primeiras produções dos irmãos Lumière, inventores do cinematógrafo.
A glória internacional de Mélies veio em 1902, com <i>Viagem à Lua</i>, mas não durou muito, pois em 1913, diante da impossibilidade de competir comercialmente com as grandes produtoras que surgiam, o cineasta se aposentou.
A obra deste gênio da magia e do cinema, que morreu na mais absoluta miséria, se dispersou e foi parcialmente destruída.
Sobreviveu apenas um histórico arquivo Mélies, com cerca de mil desenhos, pinturas, fotos, bustos, trajes e peças diversas, que a neta do cineasta, Madeleine Malthete-Mélies, cedeu em 2004 ao Centro Nacional da Cinematografia francês.
As melhores peças do centro, entre elas dois aparatos únicos no mundo, "o armário do decapitado recalcitrante", de Mélies, e o "papelão fantástico", do mago Robert Houdin, poderão ser vistas na Cinemateca Francesa a partir de 28 de setembro, quando será inaugurada no bairro de Bercy sua nova sede parisiense, instalada em um edifício concebido pelo arquiteto Frank Gehry.
Filme perdido de Georges Mélies é encontrado após 70 anos
Quinta, 22 de Setembro de 2005 às 04:49, por: CdB