Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a medida cria uma vantagem para fabricantes estrangeiros.
Por Redação, com ABr – de Brasília
A decisão do governo de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como ‘taxa das blusinhas’, provocou reação imediata de associações empresariais da indústria e do varejo; além das plataformas de comércio internacional.

A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a valer a partir desta quarta-feira, mantendo apenas a cobrança de 20% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual, sobre as encomendas.
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a medida cria uma vantagem para fabricantes estrangeiros. No comunicado, a instituição declara que a medida representa “uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”. A CNI avalia, ainda, que o impacto será maior sobre micro e pequenas empresas e poderá provocar perda de empregos.
Vendas
Em uma comunicação ao público, também nesta manhã, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) informou que a revogação amplia a desigualdade tributária entre produtos nacionais e importados. A associação empresarial alerta para o risco de redução nas vendas do varejo brasileiro, sobretudo entre pequenas e médias empresas, diante da concorrência com produtos importados.
De acordo com o IDV, a medida pode provocar queda na reposição de estoques, afetar a indústria nacional e levar ao fechamento de fábricas ou transferência de produção para países vizinhos. Segundo o setor, uma vez criada a tributação sobre compras internacionais, o varejo registrou a abertura de 107 mil empregos no primeiro ano; além de aumento de investimentos e produtividade.
“O fim do Imposto de Importação na venda cross border acarretará riscos para a economia, cujas consequências poderão comprometer a viabilidade das empresas e o emprego de milhares de trabalhadores”, resume o instituto.
Desigualdade
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também criticou a medida, ao classificar a revogação da cobrança como “extremamente equivocada”. Segundo a Abit, a medida amplia a desigualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.
“É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos e custos regulatórios enquanto concorrentes estrangeiros recebem vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional”, afirmou a associação, em nota.
Os industriais têxteis também argumentam que a decisão pode afetar a arrecadação pública. Dados da Receita Federal apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.
Total apoio
Na contramão, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) comemorou o fim da cobrança. A instituição, que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, afirmou que a tributação era “extremamente regressiva” e reduzia o poder de compra das classes C, D e E.
Segundo a Amobitec, a chamada “taxa das blusinhas” aprofundava a desigualdade social no acesso ao consumo e não cumpriu a promessa de fortalecer a competitividade da indústria nacional.