O posicionamento foi anunciado após a visita de ’01’ ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por Redação – de Brasília
Candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) — ou filho ’01’ como também é conhecido — anunciou nesta terça-feira que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A decisão representa um recuo do parlamentar, que vinha criticando a iniciativa defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

O posicionamento foi anunciado após a visita de ’01’ ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança ocorre a 12 dias da votação presidencial e na véspera da análise da PEC pelo plenário do Senado, prevista para quarta-feira. A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula.
— A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor — afirmou o candidato.
Proposta
Até agora, o candidato do PL defendia uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, que prevê a remuneração por hora trabalhada. Flávio também havia classificado a proposta defendida pelo governo Lula como “oportunista”. Apesar de anunciar apoio à PEC, o senador manteve críticas ao modelo de redução da jornada e argumentou que o texto deveria permitir maior flexibilidade na organização dos horários de trabalho.
— Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o filho e só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar à tarde? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas acho que é um processo de evolução — reclamou.
A manifestação evidencia uma alteração na estratégia do candidato em relação a uma pauta trabalhista de grande repercussão na campanha eleitoral. Embora tenha passado a defender a aprovação da medida, Flávio continua sustentando uma proposta diferente daquela apresentada como prioridade pelo governo federal.
Compensação
Outro ponto destacado pelo senador foi o impacto econômico da redução da jornada de trabalho. Flávio afirmou que a mudança poderá exigir a contratação de novos funcionários e defendeu que o governo federal ofereça mecanismos de compensação financeira aos empregadores.
O candidato também mencionou o endividamento de empresas e famílias brasileiras para justificar sua preocupação com os efeitos da proposta sobre os custos trabalhistas.
— O governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas. Tem o risco de muita gente ir para a informalidade. Então, isso tudo a gente está pesando. Mas, de novo, o meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro — acrescentou.
Momento
A posição anunciada pelo senador estabelece uma distinção entre seu apoio à extinção da escala 6×1 e as condições que considera necessárias para implementar a mudança.
A proposta em discussão no Congresso busca alterar a organização da jornada de trabalho, atualmente marcada, em diversos setores, pelo regime de seis dias de atividade para um de descanso. A medida tem implicações para trabalhadores e empregadores e ocupa espaço central no debate eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A votação prevista para quarta-feira coloca o tema na agenda do Senado em um momento decisivo da disputa presidencial. Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, sua aprovação exige o apoio de pelo menos três quintos dos senadores, equivalentes a 49 votos, em dois turnos de votação. O texto também precisa passar pela Câmara dos Deputados, conforme as regras de tramitação das PECs.