Mandados são cumpridos em quatro Estados contra nove investigados, entre eles policiais militares.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação contra integrantes da família conhecida como Avelinos, investigada por estruturar uma milícia privada com atuação no Sul Fluminense.

Ao todo, foram expedidos 21 mandados de busca e apreensão, cumpridos em 29 endereços nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará.
Nove integrantes do grupo são alvos diretos da investigação, entre eles cinco policiais militares e um advogado. Um dos principais investigados é Felipe Aguiar de Oliveira Filho, o Filipinho Avelino, que teve a residência vasculhada.
De acordo com o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), há indícios de atuação criminosa sistemática, com estrutura hierarquizada e divisão de tarefas. O grupo é suspeito de homicídios já denunciados pelo MP, tentativas de assassinato, controle territorial, corrupção de agentes públicos e obstrução da Justiça.
As investigações apontam que os integrantes utilizavam intimidação de testemunhas, ameaças a familiares e eliminação de adversários para impor a chamada “lei do silêncio”. Segundo os promotores, o histórico de violência atribuído à família atravessa gerações e remonta à década de 1930, com registros de dezenas de homicídios associados ao clã.
No estado do Rio, as diligências ocorreram na capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios. A operação contou com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil. Durante as buscas, foram apreendidas armas e munições.
Diante do histórico de violência e das suspeitas de intimidação de autoridades e tentativa de interferência em investigações, o Gaeco passou a centralizar os procedimentos criminais relacionados ao grupo.
Histórico da família
A família Avelino é alvo de investigações no Rio de Janeiro e no Pará por suspeita de envolvimento em diversos assassinatos ao longo das últimas décadas. De acordo com as apurações, uma nova geração do grupo também passou a ser investigada por crimes recentes.
Em maio de 2020, um duplo homicídio registrado por câmeras de segurança em Novo Repartimento (PA) foi atribuído pela polícia a João Pedro Bernardes Aguiar de Oliveira, apontado como integrante da família, embora não carregue o sobrenome Avelino.
Já em janeiro deste ano, o assassinato do empresário Thiago Amorim Navarro, em Vassouras (RJ), também entrou na lista de casos sob investigação. A polícia apura possível envolvimento de outro membro da família. O inquérito tramita sob sigilo.
Em 2002, outro crime que marcou o histórico do clã foi o assassinato do arquiteto Rodolfo Iannuzzi, morto dentro de um clube em Miguel Pereira. O autor do disparo foi identificado como Joubert Eduardo de Souza, neto do patriarca da família.