Os sauditas pediram apoio ao governo de Donald Trump para conter o avanço do grupo do Iêmen.
Por Redação, com CartaCapital – de Sanaá
Os houthis do Iêmen atacarão os interesses norte-americanos na região se Washington apoiar a Arábia Saudita ou tentar uma intervenção no Estreito de Bab el-Mandeb, advertiu um conselheiro militar em entrevista à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP).

O movimento pró-iraniano dos houthis tomou o controle no início do mês do estreito, porta de entrada para o Mar Vermelho, em combates que deixaram centenas de mortos. Também atacaram alvos sauditas, incluindo a capital, Riade, pela primeira vez em vários anos.
A Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen reconhecido por boa parte da comunidade internacional, tenta conter o avanço e, segundo vários meios de comunicação, pediu ajuda militar aos Estados Unidos e a outros países para combater os houthis.
– Se os Estados Unidos ousarem intervir militarmente com suas frotas ou tentarem tomar o controle de Bab el-Mandeb, isto será uma linha vermelha para eles e para qualquer outro – declarou Abed Mohamed al Thawr na terça-feira em Sanaá.
– Caso os Estados Unidos se arrisquem a apoiar a Arábia Saudita com ataques aéreos ou apoio aéreo (…), consideraremos como alvo qualquer interesse norte-americano que se encontre ao nosso redor e não vamos descartar nada – disse.
Ele acrescentou que os houthis fechariam Bab el-Mandeb “completamente para os navios norte-americanos”.
O bloqueio imposto pelos houthis afeta o reino, principal exportador mundial de petróleo.
Arábia Saudita
Os houthis afirmam que a Arábia Saudita executou centenas de ataques no Iêmen desde que os combates foram retomados em julho, o que, na prática, acabou com uma trégua de quatro anos.
A guerra civil no Iêmen ficou mais intensa com o conflito bélico deflagrado em fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, que respondeu com represálias contra as monarquias do Golfo e com o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Thawr nega ter recebido instruções do Irã, mas afirma que são “uma aliança e um só corpo”.
– O Irã é um país amigo, aliado e irmão para nós, mas não nos dá ordens. Somos independentes em nossas decisões e em nossa soberania – afirmou o conselheiro militar.
– Enquanto a Arábia Saudita insistir e continuar destruindo nosso país e atacando nosso povo, responderemos com mão de ferro – afirmou Thawr.
– Temos capacidade suficiente para colocar a Arábia Saudita em seu devido lugar, puni-la e retirá-la do jogo nos campos do petróleo e da economia – completou.