O PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio, ficando pouco acima da marca de 50 que separa contração de crescimento.
Por Redação, com ABr – de São Paulo
A atividade industrial no Brasil voltou a registrar leve expansão em junho, com pressões inflacionários menores, criação de vagas de trabalho e aumento de estoques compensando retrações nas vendas e nos volumes de produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta quarta-feira.

O PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio, ficando pouco acima da marca de 50 que separa contração de crescimento.
O crescimento, contudo, refletiu principalmente a criação de empregos pelo quinto mês seguido e a formação de estoques, já que dois dos maiores subcomponentes do indicador — produção e novas encomendas — permaneceram em território de contração.
Redução
Os estoques de itens de pré-produção aumentaram pelo quarto mês consecutivo em junho, no ritmo mais forte em quase cinco anos, com os participantes da pesquisa mencionando chegada de insumos adquiridos anteriormente e esforços recentes para reforçar os estoques de segurança. Os estoques de produtos acabados também cresceram, encerrando uma sequência de dois meses de redução.
O PMI também foi impulsionado pelo índice de prazo de entrega dos fornecedores. Embora prazos de entrega mais longos normalmente sinalizem condições de demanda forte, o atual aumento desses prazos refletiu interrupções nas cadeias de oferta causadas pelo conflito no Oriente Médio.
— O conflito no Oriente Médio … não ajuda — ele está agravando a inflação, prejudicando o comércio, abalando a confiança das empresas e provocando alguns dos piores atrasos nas entregas que vimos desde meados de 2022, tornando mais difícil para as companhias obterem os materiais de que necessitam — observou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
Segmentos
As contrações nas novas encomendas totais e na produção tiveram um ritmo mais lento do que em maio, mas as empresas continuaram relatando redução do apetite dos clientes por bens, pressões competitivas e encolhimento do mercado. As encomendas internacionais registraram queda acentuada, embora em ritmo menos intenso do que no mês anterior.
Os três grandes segmentos da indústria monitorados pela pesquisa — bens de consumo, intermediários e de investimento — registraram reduções na produção, nos novos pedidos e nas vendas para o exterior.
Os custos de insumos tiveram a menor pressão inflacionária em três meses, mas as empresas ainda apontaram que a guerra no Oriente Médio elevou os gastos com combustíveis, matérias-primas e transporte.