Rio de Janeiro, 23 de Março de 2026

Irã ameaça minar o Golfo Pérsico em caso de ataque

O Irã ameaça bloquear o Golfo Pérsico com minas marítimas após ataques a cidades israelenses. Entenda as consequências desse conflito crescente.

Segunda, 23 de Março de 2026 às 10:50, por: CdB

No final de semana, o Irã surpreendeu ao atacar duas cidades do litoral israelense que não estavam entre os principais alvos da guerra.

Por Redação, com ANSA – de Teerã

O Conselho de Defesa do Irã ameaçou nesta segunda-feira colocar minas marítimas para bloquear todo o Golfo Pérsico caso as costas ou ilhas do país sejam atacadas em meio à guerra contra os Estados Unidos e Israel.

Irã ameaça minar o Golfo Pérsico em caso de ataque | Teerã fala em minas marítimas se litoral for alvo
Teerã fala em minas marítimas se litoral for alvo

“Qualquer tentativa do inimigo de bombardear o litoral ou as ilhas iranianas resultará, naturalmente, na sabotagem de todas as rotas de acesso e linhas de comunicação no Golfo Pérsico e ao longo da costa com diversos tipos de minas navais, incluindo as flutuantes”, diz um comunicado do Conselho, divulgado pela agência Fars.

“Nesse caso, todo o Golfo estaria em uma situação muito semelhante à do Estreito de Ormuz por um longo período”, afirmou Teerã, que mantém bloqueada a principal rota comercial navegável da região há quase um mês.

No final de semana, o Irã surpreendeu ao atacar duas cidades do litoral israelense que não estavam entre os principais alvos da guerra, além de supostamente disparar mísseis balísticos contra uma base militar na ilha Diego Garcia, no Oceano Índico.  

Ataques

Ao menos 175 pessoas ficaram feridas no sul de Israel após o Irã bombardear as cidades de Dimona e Arad na noite de sábado. Segundo os socorristas, 11 civis estão em estado grave. Para o primeiro-ministro de Tel Aviv, Benjamin Netanyahu, “esta é a prova de que o regime persa precisa ser destruído”.

A mídia local destacou no domingo que as Forças de Defesa israelenses (IDF) não conseguiram interceptar pelo menos dois mísseis balísticos, que se abateram sobre os municípios, sendo que Arad foi o mais afetado.

O projétil de meia tonelada caiu em meio a casas em um bairro operário da cidade com vista para o Mar Morto e habitada por judeus ultraortodoxos, árabes beduínos e imigrantes russos. A enorme explosão destruiu 20 moradias, ferindo 115 pessoas. Cerca de 70 crianças foram hospitalizadas e 500 civis ficaram desalojados.

Duas horas antes, outros foguetes lançados pelo Irã também atingiram um bairro residencial em Dimona, onde um prédio de vários andares desabou, ferindo 60 pessoas.

O elevado número de civis envolvidos nessas explosões, como muitos afirmaram, deve-se ao fato de que, até então, a região era uma das menos atacadas por Teerã.

“Nos sentíamos seguros aqui. Tenho casa, mas nunca entro nela quando as sirenes tocam. Agora aprendi a lição”, disse à agência italiana de notícias ANSA Adam Abu Rabi’a, instrutor de direção que mora perto de um dos locais da explosão, sendo originário da vila beduína de Drijat, perto de Arad.

Sua residência sofreu danos leves, mas ele tem vários parentes entre os desabrigados.

– A guerra é terrível e esperamos que termine logo. Nem consigo imaginar o que aconteceria se o Irã tivesse armas nucleares – comentou Rabi’a, que “apoia” o exército israelense.

Um porta-voz das IDF revelou neste domingo que desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, Teerã lançou mais de 400 mísseis balísticos contra o território judeu, cujas forças interceptaram 92% dos projéteis.

– Se vocês queriam provas de que o Irã coloca o mundo em risco, mas últimas 48 horas comprovaram – declarou Netanyahu ao visitar Arad.

– Eles lançaram um míssil balístico intercontinental contra Diego Garcia [ilha britânica no Oceano Índico]. Eles têm capacidade para atingir o interior da Europa. Que outras provas a mais você precisa para se convencer de que este regime, que ameaça o mundo inteiro, precisa ser detido? – acrescentou o premiê israelense, que ao lado do presidente americano, Donald Trump, iniciou a guerra contra o Irã no final do mês passado.

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