Rio de Janeiro, 09 de Março de 2026

Italianas protestam nas ruas contra a violência de gênero

Movimento feminista 'Non Una di Meno' realiza protestos e greve em 60 cidades italianas contra a violência de gênero e desigualdade econômica nos dias 8 e 9 de março.

Domingo, 08 de Março de 2026 às 15:03, por: CdB

O lema escolhido para este ano é: “Nossas vidas importam. Entramos em greve”

Por Redação, com ANSA – de Roma

O movimento feminista italiano “Non Una di Meno” (“Nem uma a menos”) anunciou um novo “fim de semana prolongado” de protestos e greve nos dias 8 e 9 de março, unindo reivindicações contra a violência sexual, a desigualdade econômica e os conflitos internacionais.

Italianas protestam nas ruas contra a violência de gênero | Grupo feminista convocou protesto e greve em cerca de 60 cidades
Grupo feminista convocou protesto e greve em cerca de 60 cidades

O lema escolhido para este ano é: “Nossas vidas importam. Entramos em greve”. O primeiro dia será marcado por marchas e manifestações em cerca de 60 cidades italianas, enquanto o segundo contará com uma greve geral transfeminista, convocada por diversos sindicatos.

O movimento enfatiza que a mobilização não se limita aos temas tradicionais, incluindo também um protesto específico contra o projeto de lei Bongiorno, que propõe alterações na legislação sobre violência sexual.

Segundo o “Non Una di Meno”, as mudanças previstas têm consequências graves em contextos familiares, conjugais e laborais, e aumentam o risco de vitimização secundária nos tribunais.

Além de rejeitar o projeto de lei Bongiorno, as ativistas vão às ruas para defender políticas efetivas contra a desigualdade salarial e a precariedade feminina; criticar a licença-paternidade remunerada e a eliminação da Opzione Donna; e protestar contra as guerras e intervenções militares, incluindo ataques no Líbano, possíveis conflitos com o Irã e o uso de bases militares estrangeiras em território italiano.

O movimento ressalta a urgência de enfrentar não apenas a violência de gênero e as injustiças econômicas, mas também o impacto contínuo da guerra na vida cotidiana, “na incerteza do futuro, na precariedade de nossa existência e nas crises industriais da reconversão pós-guerra”.

A instituição propõe, assim, uma greve transfeminista global, que une luta contra o trabalho produtivo e reprodutivo, o consumo e os papéis de gênero, em defesa da paz e da solidariedade internacional.

“Queremos reconstruir redes de solidariedade internacional e luta comum. Aceitamos o desafio da greve transfeminista global, que reúne a greve contra o trabalho produtivo e reprodutivo, contra o consumo e os papéis de gênero, para deter a guerra porque não queremos ser nem vítimas nem cúmplices”, concluiu.

Programação em Roma

Na capital da Itália, a marcha “Una di Meno” teve início neste domingo, às 17h (horário local), na Piazza Ugo La Malfa, perto do Circo Máximo. Já no dia 9, as atividades continuarão na Piazzale Ostiense, com diversas manifestações, marchas, corridas e ocupações pelo país.

No mesmo período, será inaugurada a exposição fotográfica “Mulheres por Mulheres Contra a Violência”, idealizada pela Associação Consórcio Umanitas, para destacar emergências que afetam mulheres, como violência de gênero e câncer de mama.

A mostra, que apresenta 21 retratos em grande formato acompanhados de depoimentos reais, será aberta ao público de 9 a 13 de março de 2026, com entrada gratuita, na Nuvola di Fuksas.

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