A reunião de representantes das vítimas na residência oficial da Presidência foi motivo de celebração pelos presentes.
Por Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu uma comitiva de familiares de mortos e desaparecidos políticos, na noite da última segunda-feira, durante uma sessão no Palácio da Alvorada do filme ‘Honestino’, cinebiografia do líder estudantil Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura e cujo corpo jamais foi encontrado.

A reunião de representantes das vítimas na residência oficial da Presidência foi motivo de celebração pelos presentes.
— Eu fiquei contente com o encontro, foi a primeira vez, fiquei feliz. Para nós foi uma honra, fomos recebidos, fomos muito bem tratados. Passamos para ele (Lula) todo o trabalho que a comissão tem feito — afirmou Diva Santana, irmã de Dinaelza Coqueiro, militante do PCdoB morta pela ditadura no Araguaia e cujo corpo jamais foi encontrado.
Comissão
Coqueiro é representante dos familiares de mortos e desaparecidos na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), instância de apoio técnico-administrativo do Ministério dos Direitos Humanos.
— Essas coisas só são possíveis no processo da democracia. Sem democracia, isso não ocorre, né? — afirmou, ao lembrar que a comissão tinha sido extinta durante o governo Jair Bolsonaro (PL).
Também estavam presentes Vera Facciolla Paiva, filha de Rubens Paiva e Eunice Paiva, professora de psicologia da Universidade de São Paulo (USP), uma das representantes da sociedade civil na CEMDP e presidente do colegiado; a procuradora da República Eugênia Gonzaga e dois parentes do homenageado da noite, Juliana Botelho Guimarães Lopes, filha de Honestino, e Lucas Botelho Guimarães Lopes, neto do líder estudantil.
— Foi muito simbólico estar lá nesse momento, ainda mais para ver um filme tão significativo para todas as famílias — acrescentou Eugênia, que entregou a Lula uma sacola bordada de um dos encontros dos familiares de mortos e desaparecidos e um bottom bordado com o nome do operário Manuel Fiel Filho, assassinado pela ditadura.
Repressão
A primeira-dama, Janja, recebeu dois bottons, um com o nome de Dinaelza, irmã de Diva, e outro de Stuart Angel, também morto pela repressão (porque a primeira-dama é flamenguista, e Stuart foi atleta de remo do clube).
Na ocasião, a presidente da CEMDP mostrou a Lula a certidão de óbito retificada de Honestino Guimarães, em que consta “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro”. Essa e outras retificações foram possível graças a uma parceria da comissão com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em dezembro de 2024, aprovou uma resolução determinando que certidões de óbito de vítimas da ditadura deverão registrar a verdadeira causa mortis das vítimas da ditadura (“morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro”).
Eugênia Gonzaga convidou Lula para a última rodada de entrega de certidões de óbito retificadas, no final do ano.
— E aí eu reiterei com ele a importância de ele continuar encontrando com famílias, que para elas é uma nova fase, essa da reparação imaterial — concluiu.