Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Miliciano condenado a 112 anos ameaça delegado em tribunal

Ronan Azevedo Bento, conhecido como Jogador, teria ameaçado de morte Leonardo Affonso, responsável por investigações contra organizações criminosas em Niterói e São Gonçalo, durante audiência e precisou ser retirado do plenário.

Sexta, 28 de Agosto de 2026 às 14:29, por: CdB

Ronan Azevedo Bento, conhecido como Jogador, teria ameaçado de morte Leonardo Affonso, responsável por investigações contra organizações criminosas em Niterói e São Gonçalo, durante audiência e precisou ser retirado do plenário.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O miliciano Ronan Azevedo Bento, conhecido como “Jogador” e condenado a 112 anos de prisão, ameaçou o delegado Leonardo Affonso, que atuou em investigações contra milícias e organizações criminosas no Leste Fluminense, durante uma audiência no Tribunal do Júri do Fórum de São Gonçalo, na terça-feira. A ameaça ocorreu diante da magistrada responsável pelo caso, dos jurados, do Ministério Público e das defesas.

Durante uma audiência no Tribunal do Júri do Fórum de São Gonçalo

Segundo registro feito pela Polícia Civil, Ronan passou a falar e gesticular de forma exaltada durante o depoimento e, em determinado momento, dirigiu-se ao delegado dizendo “vou te pegar!”, acompanhado de um gesto de ameaça de morte. A juíza Juliana Bessa interrompeu a audiência e determinou a retirada do acusado do plenário.

Coação

Após a audiência, Leonardo Affonso foi à Polícia Civil e registrou ocorrência por coação no curso do processo. Em declaração formal, afirmou temer por sua integridade física e por sua vida diante da atuação da organização criminosa investigada.

Affonso foi responsável por investigações contra organizações criminosas em Niterói e São Gonçalo enquanto atuava na Delegacia de Homicídios. O processo em que ocorreu a ameaça apura a atuação de uma milícia em bairros como Porto Velho, Porto Novo, Gradim e Porto da Madama, envolvida em extorsões, ameaças e homicídios.

Segundo depoimento policial, Ronan era considerado o braço armado de Anderson Cabral Pereira, o “Sássa”, apontado nas investigações como líder da organização. De acordo com o termo de declaração, ambos foram condenados por crimes relacionados à atuação da milícia.

– Quando um criminoso ameaça um delegado dentro de um Tribunal do Júri, diante da magistrada, dos jurados, do Ministério Público e das defesas, não estamos diante de uma simples ameaça. É uma afronta à Justiça e ao Estado Democrático de Direito. Eu não vou me intimidar. Passei anos enfrentando organizações criminosas e continuarei fazendo isso, dentro ou fora da polícia, sempre ao lado das instituições e da sociedade – afirmou o delegado.

MP

Para o Ministério Público, a gravidade do episódio está no fato de a ameaça ter ocorrido dentro do Tribunal do Júri, durante ato judicial e diante das autoridades responsáveis pelo julgamento. Segundo a Promotoria, a conduta representa uma tentativa de intimidação de testemunha de acusação e demonstra “desprezo pelos mecanismos institucionais”.

O MP pediu à Justiça medidas de proteção ao delegado, incluindo escolta e outras providências de segurança institucional. O órgão também solicitou à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) que avalie a situação dos acusados, com possibilidade de transferência para unidade de maior segurança — inclusive presídio federal —, além do monitoramento de eventuais contatos que possam permitir novas intimidações ou represálias.

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