Criador das icônicas “Helenas”, escritor marcou a teledramaturgia com novelas ambientadas no Rio e centradas nos conflitos da família brasileira. Ele estava internado em Copacabana, tratando da Doença de Parkinson.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Morreu neste sábado, aos 92 anos, o autor Manoel Carlos, um dos principais nomes da história da teledramaturgia brasileira. Conhecido por clássicos como Laços de Família (2001), Por Amor (1998) e Mulheres Apaixonadas (2003), o escritor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson. A informação foi confirmada pela família.

Maneco, como era conhecido no meio artístico, enfrentava nos últimos anos o agravamento do quadro motor e cognitivo causado pela doença. A causa da morte não foi divulgada. O velório será restrito a familiares e amigos próximos.
“A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, diz a nota divulgada.
As Helenas e o retrato da família brasileira
Uma das marcas registradas da obra de Manoel Carlos foram as personagens que carregavam o nome Helena, protagonistas de várias de suas novelas. De Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), as Helenas simbolizavam mulheres fortes, mães dedicadas e personagens centrais em tramas que tratavam de dilemas morais, afetivos e familiares.
Ao longo da carreira, o autor consolidou um estilo próprio, com histórias ambientadas em grande parte no Rio de Janeiro e diálogos que buscavam retratar a vida cotidiana, as relações familiares e os conflitos emocionais da classe média.
Trajetória artística
Manoel Carlos nasceu em São Paulo, em 1933, e apesar do gentílico na carteira de identidade, sempre se declarou carioca de coração. Filho de um comerciante e de uma professora, iniciou a carreira artística ainda jovem, aos 17 anos, como ator no programa Grande Teatro Tupi, da TV Tupi. No início da década de 1950, passou a atuar também como produtor, diretor e roteirista.
Antes de chegar à TV Globo, Maneco teve passagens por emissoras como Record, TV Rio, TV Excelsior e TV Itacolomi, além de ter adaptado mais de 100 teleteatros ao longo da carreira. Também trabalhou em programas históricos da televisão brasileira, como Família Trapo e atrações musicais da Record nos anos 1960.
Na Globo, estreou em 1972 como diretor-geral do Fantástico. Seis anos depois, escreveu sua primeira novela para a emissora, Maria, Maria, seguida pela adaptação de A Sucessora, de Carolina Nabuco.
Novelas marcantes e temas sociais
Entre os maiores sucessos da carreira estão Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003) e Páginas da Vida (2006). As tramas ficaram conhecidas não apenas pelo drama familiar, mas também por abordar temas sociais como violência doméstica, alcoolismo, doação de medula óssea, preconceito e inclusão.
Em Laços de Família, uma das cenas mais emblemáticas da teledramaturgia brasileira — a personagem Camila, vivida por Carolina Dieckmann, raspando o cabelo após ser diagnosticada com leucemia — tornou-se um marco cultural e ajudou a ampliar o debate sobre doação de medula no país.
Vida pessoal
Manoel Carlos deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com o pai em diversas obras. O autor também teve outros três filhos, que morreram antes dele: Ricardo de Almeida, Manoel Carlos Júnior e Pedro Almeida.
A última novela escrita por Maneco foi Em Família, exibida em 2014, que marcou sua despedida da teledramaturgia e encerrou o ciclo das Helenas na televisão brasileira.