As novas condições impostas pelos seqüestradores para libertar os três italianos mantidos como reféns no Iraque caíram como um balde de água fria e geraram uma forte preocupação na Itália, onde se esperava uma rápida libertação depois das manifestações dos últimos dias e do pedido do Papa.
Os italianos, especialmente as famílias de Maurizo Agliana, Umberto Cupertino e Salvatore Stefio, seqüestrados há duas semanas pelas Brigadas Verdes de Maomé, não esperavam que, com o fim hoje, sábado, do ultimato de cinco dias imposto pelos seqüestradores para que fosse organizada uma manifestação em Roma contra a ocupação do Iraque, estes "aumentassem a aposta" -como afirma hoje a imprensa- e fizessem novas exigências para soltá-los.
A esperança era que os seqüestradores tivessem sido persuadidos pela manifestação da quinta-feira passada, encerrada às portas do Vaticano com a leitura de uma súplica do Papa João Paulo II pela libertação dos italianos em nome do "Deus único", e pela mediação dos Ulemás (chefes religiosos sunitas).
Os familiares esperavam com angústia em Cesanatico (norte), Prato (centro) e Sammichele (sul) que as televisões árabes anunciassem a libertação dos três, mas quando ouviram a Al Jazira ontem à noite, todos os temores ocultos se tornaram realidade. As autodenominadas Brigadas Verdes de Maomé voltavam a chantagear e exigiam agora que o governo de Berlusconi pressionasse para que os presos políticos iraquianos em poder dos curdos fossem libertados.
Os seqüestradores asseguraram que os três italianos se encontram bem.
E esse "estar bem" é tudo o que as famílias têm. Se antes de ouvir as notícias o coração delas "explodia" equanto esperavam a libertação, como disse o pai de Stefi, depois elas se resignaram com a informação de que os reféns "pelo menos ainda estão vivos".
"Esse é o terceiro balde de água fria que nos jogam. Eles não respeitam os pactos", afirmou Vito, tio de Umberto Cupertino, reunido na casa da família de Sammichele, à espera da grande notícia da libertação, que não chegou.
Em comunicados anteriores, os seqüestradores exigiram primeiramente a retirada das tropas italianas do Iraque -2.700 militares desdobrados em Nassiriya- e, depois, que os italianos se manifestassem nas ruas de Roma contra a guerra de ocupação.
Todos os familiares afirmaram que tinham ficados esperançosos, como o resto do país, mas agora, com o distanciamento da libertação, entra-se em uma situação que ninguém é capaz de prever quanto tempo irá durar.
O governo italiano pediu "prudência, calma, silêncio e discrição" e assegurou que está avaliando a nova situação surgida.
Segundo a imprensa local, os serviços secretos italianos não descartam que por trás da nova chantagem esteja uma facção minoritária das Briagas Verdes de Maomé, que decidiu dificultar a libertação.
O "Corriere della Sera" diz que essa divisão surgiu durante a condução do seqüestro e acrescenta que as dificuldades existentes são a confusão gerada por "negociações paralelas" e a verificação dos canais de mediação e se estes são corretos.
A esse respeito, afirma que os negociadores nunca estiveram em contato direto com os seqüestradores, o que torna o caso mais difícil.
"Essa realidade ficou demonstrada ontem", escreve o jornal, "quando o comissário da Cruz Vermelha italiana no Iraque, Maurizio Scelli, se reuniu com o representante dos ulemás, Salam Al Kubaisi, e lhe assegurou que os italianos poderiam ser libertados em poucas horas, o que não ocorreu".
Em relação aos prisioneiros políticos iraquianos no Curdistão, a imprensa italiana afirma que eles são 300 e estão nas prisões de Erbil e Sulimaniyeh.
Os italianos Maurizio Agliana, Umberto Cupertino e Salvatore Stefio foram seqüestrados no dia 12 de abril passado no Iraque, onde trabalhavam para uma empresa de segurança dos EUA, junto com seu colega Fabrizio Quatttrocchi.
Dois dias mais ta
Novas exigências dos seqüestradores geram preocupações na Itália
Sábado, 01 de Maio de 2004 às 09:51, por: CdB