Rio de Janeiro, 06 de Junho de 2026

Número de empresas inadimplentes bate recorde, com CNPJs negativados

Em abril, Brasil alcança 9 milhões de CNPJs negativados, refletindo um cenário desafiador para os negócios. Juros altos impactam o crédito e a recuperação financeira.

Sexta, 05 de Junho de 2026 às 20:50, por: CdB

O resultado mostra um ambiente ainda desafiador para os negócios no país. Embora o ciclo de afrouxamento monetário prossiga, os juros permanecem em patamar elevado.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

A inadimplência empresarial bateu mais um recorde no Brasil, em abril deste ano, com 9 milhões de CNPJs negativados. De acordo com dados da Serasa Experian, o número de empresas inadimplentes aumentou em 1,5 milhão em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando o maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2016. A expectativa é que os números permaneçam em níveis elevados no curto prazo.

Número de empresas inadimplentes bate recorde, com CNPJs negativados | A alta dos juros têm levado cada vez mais empresas brasileiras à inadimplência
A alta dos juros têm levado cada vez mais empresas brasileiras à inadimplência

O resultado mostra um ambiente ainda desafiador para os negócios no país. Embora o ciclo de afrouxamento monetário prossiga, os juros permanecem em patamar elevado, o que encarece o crédito e dificulta o acesso ao capital de giro, especialmente para pequenas e médias empresas, avalia a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.

— O ambiente de juros altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa — afirma a executiva.

 

Calote

Abdelmalack destaca que a inadimplência tem potencial de registrar novos recordes ao longo de 2026. A base de dados da Serasa Experian mostra que o índice de calote tem batido sucessivos recordes desde janeiro. O total de dívidas negativadas também registrou novo pico, somando R$ 220,9 bilhões em abril. Em média, cada empresa inadimplente tem 7,1 contas sem pagar, com dívida média de R$ 24.665,91 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.468,99.

Atualmente, a taxa básica de juros da economia é de 14,5% ao ano, isso depois de duas reduções consecutivas de 0,25 ponto. O juro alto faz o custo da dívida das empresas aumentar e encarecer boa parte dos planos de investimentos. Um levantamento da consultoria especializada em reestruturação de dívida RK Partners mostrou que entre as companhias abertas brasileiras, por exemplo, 24% já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas.

O estudo levou em conta a situação das 282 empresas com ações listadas na Bolsa de Valores. Os estragos dos juros elevados no balanço das companhias também se refletem em outros indicadores: 23% das empresas têm alavancagem entre três vezes e seis vezes a relação dívida líquida/ebitda anual e 24% tem alavancagem acima de seis vezes.

 

Por regiões

Segundo a Serasa, em abril, o setor de serviços concentrou 55,6% das empresas negativadas. Na sequência aparecem comércio (32,4%), indústria (8,1%) e o setor primário (0,9%). Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou no segmento de serviços (31,7%), seguido por bancos/cartões (19,4%). Na sequência apareceram cooperativas (8,6%), utilities (7,0%) e telefonia (5,7%).

Para a economista-chefe da Serasa Experian, a composição das dívidas mostra que uma parcela importante da inadimplência está ligada à sustentação do capital de giro e à manutenção das operações das empresas.

— Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências. Isso prolonga o processo de regularização financeira — resumiu.

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