O sistema oficial de metas prevê uma faixa entre o centro da meta de inflação anual
Economistas de instituições financeiras passaram a ver a inflação praticamente no teto da meta ao final de 2014 e ainda projetam mais uma alta na Selic em maio mesmo depois de o Banco Central apontar o fim do ciclo de aperto monetário. Pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira mostra que os economistas pioraram pela sexta semana seguida o cenário para a inflação neste ano, vendo o IPCA agora a 6,47%, ante 6,35% na pesquisa anterior.
A meta do governo é de 4,5% pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Para 2015, a perspectiva passou a 6,00%, alta de 0,16 ponto percentual, enquanto nos próximos 12 meses eles veem o indicador a 6,12%, alta de 0,05 ponto percentual.
Em março, o IPCA já superou o patamar de 6% em 12 meses. No mês passado, a inflação oficial acelerou a alta a 0,92%, maior avanço para esses meses em 11 anos, e atingiu 6,15% em 12 meses.
Taxa Selic
Frente a esse cenário de pressão dos preços, os economistas consultados no Focus deixaram inalterada a perspectiva para a Selic no final deste ano em 11,25%, com nova alta de 0,25 ponto percentual na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom).
Isso mesmo após as indicações dadas pelo BC no final da semana passada sobre o futuro da política monetária. Na quinta-feira, defendeu na ata da reunião em que elevou a Selic para os atuais 11% que a política monetária deve permanecer "vigilante", enfraquecendo a expressão "especialmente" usada até então.
O BC destacou ainda que uma fatia importante dos efeitos do atual ciclo de aperto monetário na inflação "ainda está por se materializar".
Além disso, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que pode interromper o ciclo de altas na Selic já em maio, apesar da aceleração da inflação de alimentos. O boletim Focus mostrou ainda que o Top 5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, também não alterou sua expectativa para a Selic no final deste ano, mantendo-a em 11,88% na mediana.
Para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a pesquisa mostrou que a estimativa para 2014 foi elevada a 1,65%, ante 1,63% anteriormente. Para 2015 foi mantida a expectativa de crescimento de 2,00%.
Inflação
O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou avanço de 1,19% em abril, ante elevação de 1,29% em março, com o alívio nos preços no atacado compensando a aceleração da alta no varejo, mostraram dados divulgados nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O Índice de Preços ao Produtor Amplo-10 (IPA-10), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, subiu 1,42%, após alta de 1,65% em março. Já o Índice de Preços ao Consumidor-10 (IPC-10), que responde por 30% do índice geral, avançou 0,88%, acelerando ante a alta de 0,70% no mês anterior.
O Índice Nacional de Custo da Construção-10 (INCC-10), por sua vez, subiu 0,39%, após 0,31% em março. O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.
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