O relatório parcial da Polícia Federal sobre o acidente com o Boeing da Gol em 29 de setembro, que será entregue nesta quinta-feira, indicia os pilotos do jato Legacy, da empresa americana ExcelAir, que se chocou com o avião. A polícia ainda levanta suspeitas sobre os controladores de vôo que trabalhavam naquele dia, sem, por enquanto, responsabilizá-los pela tragédia.
A PF não cita nomes no relatório, mas as maiores suspeitas recaem sobre um controlador de São José dos Campos e dois de Brasília. O primeiro teria informado ao Legacy para decolar a 37 mil de São José e permanecer na mesma altitude até Manaus, quando, na verdade, deveria reduzir a 36 mil a partir de Brasília e, num determinado ponto, subir a 38 mil.
Já em Brasília, um dos controladores não teria percebido que o jato permanecera a 37 mil, mesma altitude em que viajava o Boeing da Gol na região do acidente. Esse controlador, diz a investigação da polícia, não teria passado essa informação a quem o substituiu na função. Esse último, por sua vez, poderia ter avisado o Legacy ao detectar o erro de altitude.
No relatório parcial, o delegado aponta negligência dos pilotos norte-americanos. Os dois foram indiciados na última sexta-feira pelo artigo 261 do Código Penal, que trata do risco ao tráfego aéreo. A pena é de dois anos a cinco anos de prisão, podendo ser agravada em um terço pelo fato de terem ocorrido mortes no acidente.
A a polícia espera finalizar nos próximos 30 dias para saber qual foi o erro de comunicação entre torres e Legacy. A PF considera os diálogos fundamentais para esclarecer o acidente.
Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026
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