A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Greenfield, que investiga crimes de gestão temerária e fraudulenta em quatro dos maiores fundos de pensão do país
Segunda, 05 de Setembro de 2016 às 08:08, por: CdB
De acordo com a PF, as investigações começaram a partir de 10 casos investigados que revelaram déficits bilionários nos fundos de pensão
Por Redação, com ABr - de Brasília:
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Greenfield, que investiga crimes de gestão temerária e fraudulenta em quatro dos maiores fundos de pensão do país: Funcef, Petros, da Petrobras Previ e Postalis. A operação conta com o auxílio técnico do Ministério Público Federal, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Greenfield, que prendeu o empresário Léo Pinheiro, dono da OAS
Preso na manhã desta segunda-feira, o empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, da OAS, foi conduzido coercitivamente na Operação Greenfield, que investiga desvios de R$ 8 bilhões nos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ e Postalis. Pinheiro foi preso preventivamente, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato.
Léo Pinheiro articula uma delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. No fim de agosto, a Procuradoria-Geral da República suspendeu as negociações de delação premiada do ex-presidente da OAS. A determinação veio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, após vazamento de informações sobre as tratativas entre o empresário e os investigadores da Lava Jato. Nelas, foi revelado que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli era um dos citados na proposta de delação de Pinheiro. Segundo investigadores com acesso ao caso, a informação não consta em nenhum anexo – como são chamados os documentos prévios à celebração do acordo de colaboração, nos quais o delator informa o que vai contar.
A delação do empreiteiro era uma das mais complicadas desde o início da investigação, mas havia avançado após a assinatura de um acordo de confidencialidade entre as partes. Vários políticos ligados aos partidos de direita no Brasil, entre eles o PSDB, o PMDB e o PP, foram citados por Pinheiro, que envolveu o nome do ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de recorrer a uma empresa indicada por Léo Pinheiro para realizar uma obra em sua casa em Brasília.
O executivo da OAS informou aos procuradores, segundo fatos vazados para a imprensa, na semana passada, que o próprio ministro teria custeado as despesas. Ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, Toffoli disse que não possui relação de intimidade com Léo Pinheiro e que pagou pelas reformas realizadas em sua residência.
Fraudes generalizadas
A operação Greenfield, deflagrada nessa segunda-feira, determinou a condução coercitiva de Léo Pinheiro e de outros suspeitos investigados. O ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky também foi levado para prestar depoimento. Porém, diferentemente do empreiteiro, estava liberado logo em seguida. Predtechensky foi denunciado, em julho deste ano, pela Procuradoria da República, em São Paulo. O ex-presidente do Postalis e mais sete investigados são acusados de fraude $ 465 milhões no fundo de pensão dos Correios.
Ao todo, 560 policiais federais cumpriram os 127 mandados judiciais expedidos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal. Foram mandados expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília/DF: sete de prisão temporária, 106 de busca e apreensão e 34 de condução coercitiva nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal.
A decisão judicial ainda determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos e de recursos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas que são alvos da operação no valor aproximado de R$ 8 bilhões. A PF aponta que a ação é ancorada em dez casos revelados a partir do exame das causas dos déficits bilionários apresentados pelos fundos de pensão. Entre os casos, oito são relacionados a investimentos realizados de forma temerária ou fraudulenta pelos fundos de pensão, por meio dos FIPs (Fundos de Investimentos em Participações).
“Durante as investigações, alguns núcleos criminosos restaram configurados: o núcleo empresarial, o núcleo dirigente de fundos de pensão, o núcleo de empresas avaliadoras de ativos e o núcleo de gestores e administradores dos FIPs”, informa a PF em nota.
Os investigados responderão, na medida de suas participações, por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na lei nº 7.492/86.
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