Planejamento estratégico e água
Valdir Prochnow
O planejamento estratégico é uma poderosa ferramenta de gestão, amplamente empregada nas organizações empresariais, que vem ganhando espaço também nas instituições e organizações públicas. Na esteira desse processo, em 2003, também o Município de Joinville instituiu um processo de planejamento estratégico com abrangência até 2020. O processo de planejamento, que culminou com a produção do referido plano, mobilizou amplos e diversificados segmentos da sociedade (conferindo-lhe legitimidade), que se empenharam em definir qual futuro é desejado para Joinville.
E a preocupação com a sustentabilidade (ambiental e econômica) é explicitada em diferentes pontos do trabalho. A visão foi assim definida: "Ser uma cidade sustentável, solidária, hospitaleira, empreendedora, voltada à inovação, com crescente qualidade de vida, motivo de orgulho da sua gente, onde se realizam sonhos". Fica evidente a preocupação com a sustentabilidade, que aparece em primeiro plano. Um dos princípios diz: "Nós crescemos com base no desenvolvimento sustentável". Ou seja, a comunidade deixou claro que a sustentabilidade é fundamental - é um princípio. Foram ainda definidos seis macroobjetivos, e o primeiro deles não poderia ser mais claro: buscar a "sustentabilidade e qualidade de vida. Estar entre os dez municípios líderes em desenvolvimento sustentável, considerando os indicadores sociais, educacionais, de saúde, culturais, econômicos e ambientais, até 2010".
Mas o leitor deve estar se perguntando: o que tem a água a ver com isso? Pois bem. Sendo sucinto, do ponto de vista ambiental e ecológico, a atividade do homem é sustentável quando pode ser mantida ao longo do tempo, proporcionando benefícios às pessoas (a todas, sem exclusões), hoje, amanhã e depois, sem degradar a natureza e sem pôr em risco a vida de outras espécies. E a água? Como todos sabemos desde crianças (embora muitos parecem ter esquecido), a água é vital. Sem ela não há vida! Nem no sentido biológico e nem no sentido econômico. Sabemos também que mais de 70% da água consumida pelos joinvilenses vêm da bacia do rio Cubatão, que, portanto, é vital, imprescindível, para a cidade.
Mas lamentavelmente, nos últimos anos, resultado de interferências danosas e gananciosas, a disponibilidade de água nessa bacia vem diminuindo drasticamente, pondo em risco o futuro de Joinville. Um exemplo acabado de atividade econômica não-sustentável. Portanto, o discurso dos responsáveis pelas atividades danosas (mineração e silvicultura principalmente e com a conivência dos lincenciadores e fiscalizadores públicos) na bacia do rio Cubatão, rotulando os preocupados com a sustentabilidade de minoria contrária ao progresso, à geração de emprego e renda, é mentiroso e falacioso. Pois, caro leitor, quantos empregos serão gerados quando Joinville não dispuser mais de água para abastecer os seu parque industrial? Quando não houver mais água para manter a já reduzida atividade agropecuária? Para onde irão os joinvilenses sedentos e desempregados quando as empresas deixarem de investir aqui e se retirarem para se instalar onde houver oferta de água?
Valdir Prochnow, economista, professor e empresário/ valdir.prochnow@terra.com.br