Rio de Janeiro, 24 de Janeiro de 2026

Posição brasileira tende a ser contrária ao ‘Conselho da Paz’ de Trump

O governo brasileiro, sob a liderança de Lula, tende a recusar a participação no 'Conselho da Paz' dos EUA, em meio a diálogos com líderes internacionais sobre a situação em Gaza.

Sexta, 23 de Janeiro de 2026 às 21:09, por: CdB

As conversas lideradas por Lula ocorrem após surpresa do governo brasileiro com o lançamento antecipado da iniciativa norte-americana, anunciado durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Por Redação — de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ouvido seus conselheiros mais próximos, nos últimos dias, contrários à ofensiva diplomática norte-americana para alinhar posições com parceiros estratégicos diante do novo ‘Conselho da Paz’ anunciado pelos EUA, voltado à discussão do conflito na Faixa de Gaza. A movimentação ocorre em meio à avaliação, no Palácio do Planalto, de que o Brasil tende a recusar o convite feito por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para integrar o colegiado.

Posição brasileira tende a ser contrária ao ‘Conselho da Paz’ de Trump | O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, preside o ‘Conselho da Paz’
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, preside o ‘Conselho da Paz’

As conversas lideradas por Lula ocorrem após surpresa do governo brasileiro com o lançamento antecipado da iniciativa norte-americana, anunciado durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. A avaliação interna é de que o anúncio pegou a diplomacia brasileira desprevenida, uma vez que não estava claro que Trump oficializaria o conselho naquele momento.

Na véspera, quase toda a agenda presidencial foi dedicada às conversas com líderes internacionais. Logo pela manhã, Lula telefonou para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, atual presidente do BRICS. O diálogo teve caráter estratégico, posto caber à Índia convocar uma eventual reunião extraordinária do grupo. Os países do Sul Global tendem a adotar uma posição conjunta contrária à iniciativa norte-americana.

Multilateralismo

A conversa entre Lula e Modi durou cerca de 45 minutos e abordou; além da situação em Gaza, a necessidade de mudanças no sistema multilateral. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que “o presidente Lula e o primeiro-ministro Modi também trocaram impressões sobre a situação global”.

“Reafirmaram sua convicção a respeito da necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança. Reiteraram, nesse sentido, seu compromisso com a paz em Gaza e, de modo geral, com a defesa da paz no mundo, do multilateralismo e da democracia”, acrescenta o comunicado.

Ainda na última tarde, Lula falou por telefone com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Segundo o Itamaraty, a conversa tratou das perspectivas de reconstrução da Faixa de Gaza e do andamento do plano de paz em discussão, com o compromisso histórico do Brasil pela paz no Oriente Médio. Um dia antes, na quarta-feira, o presidente brasileiro já havia tratado sobre o assunto com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

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