Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Presidente do BC acredita estar na hora de rever ‘calibragem’ dos juros

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, indica a necessidade de 'calibragem' na Selic e prevê cortes a partir de março, visando maior estabilidade econômica.

Quarta, 11 de Fevereiro de 2026 às 20:36, por: CdB

O economista referia-se à sinalização que consta da ata divulgada após o último encontro do Copom, de que o ciclo de cortes da Selic começará em breve.

Por Redação – de Brasília

Presidente do Banco Central (BC), o economista Gabriel Galípolo reconheceu, nesta quarta-feira, que a autoridade monetária precisa iniciar o processo de “calibragem” da taxa oficial de juros (Selic), a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no mês que vem.

Presidente do BC acredita estar na hora de rever ‘calibragem’ dos juros | O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem sido questionado pela decisão de liquidar o Banco Master
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem sido questionado pela decisão de liquidar o Banco Master

— A partir de janeiro, a gente decide sinalizar que antevê, em se confirmando o cenário, essa calibragem da política monetária, a partir de março, justamente para que a gente consiga reunir mais confiança para iniciar este ciclo — disse Galípolo, nesta manhã.

 

Transatlântico

O economista referia-se à sinalização que consta da ata divulgada após o último encontro do Copom, de que o ciclo de cortes da Selic começará em breve. Galípolo posiciona-se, favoravelmente, a que a instituição tenha “serenidade” em suas decisões para o restante do ano, que serão tomadas a partir dos dados econômicos, sob pena de prejudicar a própria política monetária.

— Serenidade significa que o BC está mais para um ‘transatlântico’ do que para um ‘jet ski’. Temos que ter serenidade para separar o que é ruído e o que é sinal — disse Galípolo.

Em janeiro, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março. No mercado, as apostas majoritárias são de que o Copom iniciará o ciclo com corte de 50 pontos-base da taxa básica.

 

Conservador

Nesta manhã, durante o ‘CEO Conference Brasil 2026’, seminário promovido pelo banco BTG Pactual na capital paulista, o presidente do BC lembrou que “neste ambiente onde você tem menos confiança, dado o tamanho da incerteza em projeções, a atitude do Copom foi ser mais conservador ao esperar 45 dias para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança”.

Durante sua palestra, Galípolo evitou falar sobre expectativas e afirmou que, para os próximos anos, a palavra que vai nortear os rumos do BC será “estabilidade”.

— A palavra-chave dos próximos anos do Banco Central é estabilidade. Nosso mandato é estabilidade monetária e estabilidade financeira. A palavra que vai dar ênfase no nosso mandato é estabilidade. Por isso, até brinquei que o novo logo dessa agenda será um quadrado vazado, porque o quadrado é o arquétipo junguiano da estabilidade e ele será vazado porque queremos dar transparência para isso — afirmou.

 

Caso Master

Quanto ao caso do Banco Master, recém-liquidado pela autoridade monetária, Galípolo fez elogios à atuação da Polícia Federal (PF) nas investigações sobre a gestão fraudulenta da instituição financeira. Ele também elogiou o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o Ministério Público, o mercado financeiro e a imprensa sobre a condução do caso.

— Desde o primeiro momento, ali quando a gente percebeu que era um tema que extrapolava o tema de supervisão bancária e que demandava a gente fazer as comunicações e envolver a Polícia Federal e o Ministério Público, houve coragem e capacidade técnica do Andrei (Rodrigues). A Polícia Federal foi diligente, corajosa e técnica nesse processo — concluiu.

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