Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Produção industrial se mantêm alta, na maioria dos Estados pesquisados

A produção industrial brasileira cresce 0,9% em fevereiro, com destaque para Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Veja os detalhes da recuperação do setor após meses de retração.

Quinta, 09 de Abril de 2026 às 21:10, por: CdB

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta uma recuperação parcial do setor após meses de retração.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

A produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,9% em fevereiro, com avanço em 11 dos 15 locais pesquisados, sinalizando retomada após perdas no fim de 2025. O resultado foi impulsionado por recuperação regional e pela recomposição de estoques, especialmente em Estados como Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Produção industrial se mantêm alta, na maioria dos Estados pesquisados | A indústria registrou números positivos na maioria dos Estados pesquisados pelo IBGE
A indústria registrou números positivos na maioria dos Estados pesquisados pelo IBGE

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta uma recuperação parcial do setor após meses de retração.

Segundo o levantamento, os maiores avanços foram observados no Espírito Santo (11,6%) e no Rio Grande do Sul (6,7%), ambos revertendo dois meses consecutivos de queda. No período anterior, os estados haviam acumulado perdas de 11,3% e 6,8%, respectivamente. Por outro lado, Mato Grosso (-0,9%) e Goiás (-0,8%) registraram os recuos mais intensos no mês.

 

Desempenho

O analista da pesquisa, Bernardo Almeida, destacou que o desempenho recente indica uma recuperação consistente.

— Esse movimento pelo segundo mês seguido pode ser explicado pela necessidade de algum tipo de recomposição de estoques após o período de queda no final do ano passado que diminuiu os níveis dessa variável — afirmou.

Com o resultado de fevereiro, a indústria acumula crescimento de 3% nos dois primeiros meses do ano, anulando a perda de 2,3% registrada entre setembro e dezembro de 2025. Apesar disso, fatores macroeconômicos continuam pressionando o setor.

— Temos uma política monetária contracionista com taxas de juros em patamares elevados, estreitando e encarecendo as linhas de crédito, reduzindo investimentos e arrefecendo, assim, a produção industrial — acrescentou Almeida.

 

Resultado

Entre os destaques regionais, a indústria capixaba apresentou o melhor desempenho absoluto, influenciada principalmente pelas atividades extrativas. Já o Rio Grande do Sul liderou em termos de impacto no resultado nacional, com recuperação puxada pelos setores de bebidas e veículos automotores.

Outros estados também superaram a média nacional de crescimento, como Bahia (3,2%), Pará (2,7%), Ceará (2,5%), Amazonas (1,7%), Santa Catarina (1,0%) e a Região Nordeste (1,0%). Pernambuco (0,6%), São Paulo (0,5%) e Rio de Janeiro (0,2%) completaram o grupo com resultados positivos.

Na comparação com fevereiro de 2025, no entanto, a produção industrial recuou 0,7%, com queda em nove dos 18 locais pesquisados. O Rio Grande do Norte teve o pior desempenho (-24,5%), seguido por Ceará (-9,8%) e Paraná (-7,7%). De acordo com o IBGE, a menor quantidade de dias úteis em fevereiro de 2026 também influenciou o resultado.

 

Expansão

Na outra ponta, Espírito Santo (31,3%) e Pernambuco (25,0%) registraram os maiores crescimentos nessa base de comparação, reflexo, em parte, de bases de comparação mais baixas no ano anterior. Almeida explicou que, no caso capixaba, o avanço foi impulsionado pela produção de minério de ferro, petróleo e gás natural, enquanto em Pernambuco houve forte expansão no setor de derivados de petróleo.

No acumulado do ano até fevereiro, a indústria apresenta leve retração de 0,2% frente ao mesmo período de 2025, com desempenho negativo em metade das regiões analisadas. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o setor ainda registra crescimento de 0,3%, embora em desaceleração.

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