A campanha petista considera que o segundo turno abre uma nova etapa da disputa, na qual Lula e Alckmin procurarão evidenciar as diferenças entre os dois projetos que chegaram à votação decisiva.
Por Redação – de São Paulo
A direção do PT, na condução da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin, pretende ampliar o diálogo político no segundo turno e buscar o apoio de setores da sociedade que rejeitem o projeto representado por Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia foi detalhada pelo presidente nacional da legenda, Edinho Silva, após o primeiro turno da eleição presidencial.

— Nós vamos conversar com todas as lideranças que queiram construir um Brasil que não se entregue às milícias — afirmou Edinho.
O dirigente petista disse que a campanha buscará interlocução com forças políticas dispostas a discutir o futuro do país, independentemente das posições assumidas na primeira etapa da eleição.
Projetos
A campanha petista considera que o segundo turno abre uma nova etapa da disputa, na qual Lula e Alckmin procurarão evidenciar as diferenças entre os dois projetos que chegaram à votação decisiva.
— O segundo turno é uma outra eleição. Nós sabemos que é uma eleição de confronto direto de projetos — observou Edinho Silva, após reunião da coordenação da campanha em Brasília, nesta terça-feira.
Segundo o dirigente partidário, a campanha pretende contrapor a trajetória e as propostas do presidente Lula ao projeto político de Flávio Bolsonaro. O presidente do PT tem associado o adversário a grupos milicianos do Rio de Janeiro e sustenta que essas relações precisam fazer parte do debate sobre segurança pública no segundo turno.
Acusações
Entre os episódios mencionados nesse debate está a homenagem concedida por Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual, ao ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia armada que controla extensos territórios, no Rio de Janeiro.
O gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio também empregou a mãe e a ex-mulher de Nóbrega. Flávio afirma que, quando concedeu a homenagem, Adriano era reconhecido por sua atuação policial e não havia acusações contra ele.
Edinho sustenta que Lula representa, em contraste, um projeto “humanista”, voltado às pessoas, à proteção da natureza e ao desenvolvimento sustentável. A campanha pretende enfatizar também temas como soberania nacional, políticas sociais, geração de emprego e renda e defesa das instituições democráticas.
Alianças
A busca por novas alianças deverá ultrapassar o campo tradicional da esquerda. Antes mesmo da votação do primeiro turno, Edinho já havia sinalizado a intenção de conversar com partidos e lideranças de centro e centro-direita.
A avaliação da campanha é que a diferença estreita registrada no primeiro turno torna especialmente importante a construção de uma frente política mais ampla. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, levando a eleição para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A estratégia inclui ainda ampliar a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas e intensificar a presença do presidente na campanha. Lula pretende participar de debates no segundo turno, depois de ter ficado fora dos confrontos televisivos da primeira etapa.
Reformas
Edinho também reconheceu que a crise de credibilidade das instituições, particularmente do sistema político e do Judiciário, teve impacto sobre o ambiente eleitoral. Lula passou a defender publicamente mudanças institucionais e uma reforma do Judiciário, tema que deverá aparecer na campanha do segundo turno.
Para o presidente do PT, o eleitorado conhece a experiência acumulada por Lula em seus mandatos e terá agora a oportunidade de comparar diretamente as propostas apresentadas pelos dois candidatos.