Projeto criado no Brasil, desenvolvido na região e produzido na Argentina integra plano de 14 novos modelos para mercados fora da Europa até 2030
Por Sérgio Dias – de São Paulo
A estratégia da Renault para ampliar sua presença fora da Europa passa pela América Latina e envolve desenvolvimento de produtos, produção regional e novas tecnologias. A Niagara, nova picape da fabricante, foi criada no Brasil, desenvolvida pelas engenharias brasileira e argentina e será produzida em Córdoba, tendo Brasil, Argentina e Colômbia como seus principais mercados.

“A Niagara é o primeiro pilar da estratégia futuREady e de nossa meta de lançar 14 novos modelos em mercados fora da Europa até 2030”, afirma Fabrice Cambolive, Chief Growth Officer do Renault Group e CEO da marca Renault. Segundo o executivo, a plataforma RGMP também servirá futuramente como base para uma motorização híbrida.
A chegada da Niagara ocorre em um momento no qual a Renault reorganiza sua atuação internacional. Ao lado de Kardian e Boreal, a picape integra a renovação da gama destinada aos mercados fora da Europa. A meta da companhia para 2030 é obter metade das vendas fora do continente europeu e elevar para 50% a participação de motorizações elétricas e híbridas nesses mercados.
Produção regional
A divisão das etapas de desenvolvimento mostra o papel atribuído à América Latina nessa estratégia. A Niagara nasceu no centro de design da Renault no Brasil, enquanto as equipes de engenharia do Brasil e da Argentina trabalharam conjuntamente no desenvolvimento. A fabricação ocorrerá na planta de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina.

Antes da produção, os protótipos percorreram quase 800 mil quilômetros e acumularam mais de 50 mil horas de testes. O programa passou por Argentina, Brasil e Colômbia, além dos centros da Renault na Europa, reunindo diferentes condições de pavimento e utilização.
A Niagara utiliza a plataforma RGMP para picapes e procura atender tanto atividades profissionais como deslocamentos urbanos, lazer e viagens. Essa proposta acompanha a mudança de utilização das picapes na região, que passaram a dividir as atividades de carga com o uso como veículo particular.
Motor flex
O conjunto mecânico utiliza motor 1.3 turbo com injeção direta. Dependendo do mercado, haverá configurações a gasolina e flex. A primeira entrega 156 cv, enquanto a segunda chega a 160 cv. Ambas trabalham com torque máximo de 270 Nm.

A transmissão poderá ser manual de seis marchas ou automática EDC de seis velocidades e dupla embreagem úmida. Algumas configurações terão tração integral, com distribuição automática de torque entre os eixos de acordo com as condições de aderência e modos de condução selecionados pelo motorista.
A caçamba comporta 938 litros e suporta carga máxima de 654 kg. A capacidade de reboque informada é de 710 kg. Nas versões 4×4, a distância livre do solo chega a 233 mm.
Tecnologia embarcada
A estratégia regional também envolve a incorporação de recursos digitais. A cabine reúne tela multimídia de 10,1 polegadas e painel de instrumentos digital de 10,2 polegadas. A Niagara será a primeira picape com o sistema OpenR Link com Google integrado e receberá o Google Gemini.
Entre os sistemas de assistência estão controle de velocidade adaptativo com Stop & Go, permanência em faixa, reconhecimento de placas, monitoramento de fadiga, frenagem automática de emergência e alerta de ponto cego. O conjunto também prevê câmera panorâmica de 360 graus e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Com a Niagara, a Renault coloca desenvolvimento brasileiro e produção argentina dentro de uma mesma estratégia industrial. A picape também inaugura uma plataforma que poderá receber propulsão híbrida futuramente, inserindo a América Latina no planejamento da fabricante para ampliar sua participação nos mercados internacionais até 2030.