Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2026

Segundo Putin, guerra entre os EUA e Iraque pode ser longa

Domingo, 05 de Outubro de 2003 às 21:45, por: CdB

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que os Estados Unidos enfrentam a possibilidade de uma guerra prolongada, violenta e inclusive fútil no Iraque, como a encarada no passado pela União Soviética no Afeganistão, publicou na edição desta segunda-feira o jornal The New York Times.

Em entrevista exclusiva de três horas concedida em Moscou no sábado, Putin falou que o Iraque 'pode voltar a ser um novo centro, um novo imã para todos os elementos destrutivos'. Acrescentou que 'um grande número de diferentes organizações terroristas' está se mobilizando dentro do Iraque desde à queda do regime de Saddam Husein.

Para o líder russo, o governo do presidente George W. Bush deve agir rapidamente para devolver a soberania aos iraquianos e garantir uma nova resolução das Nações Unidas definindo claramente quanto tempo mais as forças internacionais ficarão no país, escreveu o jornal.

- Como a população poderia tratar as forças que têm como nome oficial forças de ocupação - questionou Putin.

Segundo ele, os atos hostis contra os Estados Unidos são inevitáveis, a menos que sua ocupação receba a legitimidade internacional que está precisando neste momento.

Na entrevista, Putin destacou que as relações da Rússia com os Estados Unidos são próximas e francas. Ao mesmo tempo, porém, foi muito crítico em relação às queixas dos americanos sobre a Chechênia e à humilhante exigência de um novo visto para os cidadãos russos nos EUA.

Putin reconheceu que o povo tem razão de chamar o regime de Saddam Hussein de 'criminoso', mas rechaçou a afirmação de Bush de que o líder iraquiano tinha vínculos com a militância islâmica internacional e o terrorismo.

Em contrapartida, disse, a invasão do Iraque criou um paraíso para os terroristas onde antes não existia. O governo de Saddam Hussein 'lutou contra o fundamentalismo. Exterminou-os, prendeu-os ou enviou-os ao exílio', completou.

O presidente russo acredita que as 'forças da coalizão ganharam dois inimigos com a guerra no Iraque, ambos restos do regime de Saddam, os que combateram com elas e os que elas combateram no passado, os fundamentalistas'.

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