Sobe número de mortos em terremoto no Afeganistão e Paquistão
Os esforços das autoridades afegãs e paquistanesas centram-se nesta terça-feira nas operações de resgate e a entrega de ajuda humanitária depois do terramoto de segunda, que já causou pelo menos 300 mortos e 2 mil feridos nos dois países.
Por Redação, com ABr e Reuters - de Cabul:
Os esforços das autoridades afegãs e paquistanesas centram-se nesta terça-feira nas operações de resgate e a entrega de ajuda humanitária depois do terramoto, que já causou pelo menos 300 mortos e 2 mil feridos nos dois países.
No Afeganistão, segundo o balanço mais recente do Governo, há 76 mortos e 268 feridos. Entretanto, as autoridades locais apontam para 94 mortos e 345 feridos em decorrência do tremor que, de acordo com o Instituto Geológico dos Estados Unidos, alcançou magnitude de 7,5 graus na escala de Richter.
Terremoto devasta parte do Paquistão
O porta-voz do governo afegão, Javid Faisal, declarou à agência EFE que mais de 4 mil casas ficaram destruídas pelo terramoto, que ocorreu em Badakhshan, província no Nordeste do país e que faz fronteira com o Tajiquistão, a China e o Paquistão.
As províncias de Badakhshan, Takhar (nordeste), Baghlan (norte), Nuristan, Laghman, Nangarhar e Kunar (leste) são as mais afetadas.
Fontes locais também indicaram que 5.370 casas ficaram destruídas com o sismo, especialmente em Badakhshan, em que o seu governador em exercício, Waliullah Adib, referiu que há 2,7 mil casas destruídas, e Kunar.
Num comunicado pouco usual, os talebãs pediram às organizações humanitárias e aos “países ricos” que não poupem na ajuda das vítimas do terramoto, muitas delas na zona sob seu controle ou em conflito com os rebeldes.
No Paquistão, as autoridades elevaram o número de mortos para 231 e 1.652 feridos e estão deslocando equipes de ajuda para as zonas mais afetadas, principalmente nas províncias de fronteira com o Afeganistão.
– Equipes médicas e de resgate chegaram já a algumas áreas afetadas, ainda que em muitas outras zonas não seja possível ter acesso devido às dificuldades no terreno – explicou à EFE o porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Paquistão, Ahmed Kamal.
Segundo o porta-voz, o governo enviou até ao momento um helicóptero, um hospital móvel, 2 mil mantas e o mesmo número de tendas de campanha e esteiras para a província de Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão e a mais afetada pelo tremor.
O porta-voz explicou que foi nessa província que houve o maior número de mortos, 184, além dos 1.456 feridos.
O primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, viajou nesta terça-feira para Shangla, no Noroeste, para conhecer a situação da população atingida pelo tremor de terra.
Na Índia, o terramoto deixou dois mortos e dois feridos no Noroeste do país em incidentes relacionados com o tremor.
Vítimas de terremoto
O Talebã exortou as agências de ajuda nesta terça-feira a avançar na entrega de suprimentos de emergência para as vítimas do terremoto que atingiu as regiões montanhosas remotas do norte do Afeganistão e Paquistão, matando pelo menos 300 pessoas.
Com o rigoroso inverno se impondo na região das montanhas Hindu Kush, epicentro do terremoto, a situação das milhares de pessoas que ficaram desabrigadas está se tornando cada vez mais grave.
– O Emirado Islâmico exorta os nossos bons compatriotas e organizações beneficentes a não demorarem no fornecimento de abrigo, comida e suprimentos médicos para as vítimas deste terremoto – disse o Talebã em uma mensagem de condolências às vítimas, usando seu nome formal. "E ordena igualmente a seus combatentes nas áreas afetadas que provenham o máximo de ajuda."
No entanto, o esforço de socorro está sendo complicado pela instabilidade decorrente da insurgência do Talebã, já que boa parte da zona afetada é insegura para as organizações internacionais e as tropas do governo.
– A comida e outros itens de ajuda são insuficientes – disse Abdul Habib Sayed Khil, chefe da polícia de Kunar, uma das províncias mais atingidas, onde foi confirmada a morte de 42 pessoas. "Está chovendo há quatro dias e o clima está muito frio. Se não providenciarmos ajuda muito em breve, isso pode virar um desastre."
Em consequência do sismo, estradas e comunicações estão interrompidas em muitas áreas e as autoridades e organizações humanitárias internacionais ainda estavam tentando avaliar a extensão dos danos.
No Paquistão, onde deslizamentos de terra e fortes chuvas e neve no fim de semana já haviam deixado milhares de turistas retidos em áreas montanhosas do norte, os militares do país, que são bem-equipados, estão fortemente envolvidos nos esforços de socorro.
TerremotoO tremor de terra abalou a região hindu de Kush, no Afeganistão, sendo também sentido fortemente na Índia e no Paquistão, segundo o centro de sismologia European-Mediterranean Sismologic Center (EMSC).
De acordo com o centro de sismologia, o tremor de terra ocorreu a 190 quilômetros de profundidade às 14h09 locais (07h09 em Brasília) e o epicentro foi em uma área remota do Leste do Afeganistão, 250 quilômetros ao norte de Cabul.
Por sua vez, o Instituto Geológico dos Estados Unidos também confirmou o sismo, porém com magnitude de 7,5 e a uma profundidade de 213,5 quilômetros. A autoridade geológica do Afeganistão falou inicialmente em um terremoto de 8,1 na escala de Richter, mas corrigiu a intensidade para 7,7 e, posteriormente, para 7,5.
Segundo notícia da France Presse, o abalo durou cerca de um minuto e foi sentido também em Cabul, Islamabad (Paquistão) e Nova Deli (Índia), mas não afetou o Nepal, que foi atingido por um forte terremoto em abril.
Em Islamabad e Nova Deli milhares de pessoas fugiram para as ruas após o violento tremor, que sacudiu vários edifícios.
Em Cabul, o Governo afegão colocou em estado de alerta todos os hospitais do país, mas não adiantou qualquer outra informação sobre vítimas ou danos materiais.
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