Rio de Janeiro, 21 de Julho de 2026

Suspeitos de tráfico de orgãos podem ser soltos

O desembargador federal Petrúcio Ferreira decide nesta quinta-feira se concede habeas-corpus à advogada Terezinha Medeiros e ao médico José Sílvio Boudoux. Suspeitos de integrarem a quadrilha de tráfico internacional de órgãos de seres humanos, os dois prestaram depoimento na tarde desta quarta no Tribunal Regional Federal (TRF). (Leia Mais)

Quinta, 11 de Dezembro de 2003 às 08:17, por: CdB

O desembargador federal Petrúcio Ferreira decide nesta quinta-feira se concede habeas-corpus à advogada Terezinha Medeiros e ao médico José Sílvio Boudoux. Suspeitos de integrarem a quadrilha de tráfico internacional de órgãos de seres humanos, os dois prestaram depoimento na tarde desta quarta no Tribunal Regional Federal (TRF).

Antes das audiências, a pedido do advogado de Terezinha, Ronnie Preuss Duarte, o desembargador concedeu liminar permitindo que os advogados pudessem ter acesso ao inquérito, que está sob segredo de Justiça. Também nesta quinta expira o prazo da prisão temporária de dez suspeitos, inclusive de Terezinha, presos pela Polícia Federal no último dia 2.     

Representando Boudoux, o criminalista José Siqueira Filho protocolou, antes do início dos depoimentos, uma carta, atribuída ao capitão da reserva da Polícia Militar (PM) Ivan Bonifácio da Silva na qual ele isenta o médico de qualquer envolvimento no esquema de tráfico. No texto, Bonifácio afirma que o médico "não tinha conhecimento, através de mim, que pudessem existir possíveis doações de órgãos".

- O documento prova que o doutor Sílvio não sabia das doações - comentou Siqueira.

Segundo o bacharel, a carta foi iniciativa do próprio Bonifácio.

- O capitão ficou consternado quando viu nos noticiários que o doutor Sílvio estava sendo envolvido nas denúncias e quis esclarecer - disse.

Nesta quarta-feira, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) divulgou nota informando que irá investigar o envolvimento do médico.

Acompanhada de seu advogado, Terezinha foi a primeira a prestar depoimento ao desembargador. Duarte não revelou o teor do depoimento, mas informou ter feito uma solicitação verbal à Ferreira para ter acesso ao inquérito.

- Aditei um pedido para que o desembargador franqueasse o acesso dos advogados aos autos, inclusive as escutas telefônicas, o que foi atendido -  revelou, acrescentando a decisão ser extensiva aos advogados que também entraram com pedidos de habeas-corpus .

- A única condição para isso é que os advogados mantivessem o segredo de Justiça, sob pena de serem responsabilizados - comentou.

Após os depoimentos, Terezinha foi conduzida para a Colônia Penal Feminina do Recife e Boudoux para o Quartel do Derby.    

Nesta quinta-feira, Duarte deve ingressar com um pedido de revogação da prisão do bioquímico israelense Eliezer Ramon, na 13ª Vara Federal.

- Não existe nada contra ele - ratificou, confiante na soltura dele.

O advogado lembrou ainda que expira hoje o prazo da prisão temporária de dez suspeitos detidos.

- A juíza (Amanda Torres de Lucena) pode ou soltar ou decretar a preventiva. Iremos aguardar a decisão dela e do desembargador para decidir o que iremos fazer depois -  finalizou.    

Dos nove mandados de prisão a serem cumpridos pela PF por determinação da juíza Amanda Torres, todos são relativos a pessoas que tinham a função de coordenação da quadrilha de tráfico internacional de órgãos. Segundo informações, eles atuavam no esquema de aliciamento e facilitação das viagens para a África do Sul.

Agentes federais já foram ao endereço dos nove suspeitos, mas nenhum deles estava em casa. Um dos possíveis detidos é um homem chamado Afonso, que atuaria aliciando pessoas no bairro de Areias.    

Afonso foi citado como aliciador em depoimento prestado pelo pedreiro José Carlos Conceição da Silva, que realizou a operação para retirada de um dos rins em maio deste ano e recebeu U$$ 6 mil pela venda.

O pedreiro contou ainda que U$$ 4,8 mil foram levados em um assalto ocorrido em São Paulo. Afonso andaria com o capitão da reserva da PM Ivan Bonifácio da Silva, em Areias, principalmente no mercado público do bairro, tentando convencer as pessoas a "doarem" um dos rins.&nb

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