Os números apurados indicam, claramente, uma mudança de rumo, uma vez que o governador paulista passou a privilegiar temas de gestão e valores, como São Paulo, segurança, trabalho, família e realizações de governo.
Por Redação – de São Paulo
Governador de São Paulo, o ex-militar Tarcísio de Freitas (Republicanos) passou a reduzir, de forma significativa, as menções ao ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) nas ações de comunicação da campanha à reeleição. A estratégia mudou desde a eleição de 2022, quando sua candidatura foi decisivamente associada ao bolsonarismo. A informação é de levantamento da consultoria Bites, realizado a pedido do diário conservador carioca ‘O Globo’, com base em publicações feitas por Tarcísio de Freitas em redes sociais como o X, Facebook, Instagram e TikTok.

Os números apurados indicam, claramente, uma mudança de rumo, uma vez que o governador paulista passou a privilegiar temas de gestão e valores, como São Paulo, segurança, trabalho, família e realizações de governo. Entre janeiro e julho deste ano, as palavras mais usadas por Tarcísio nas redes foram “São Paulo”, com 687 menções; “gente”, com 422; “história”, com 254; “direção”, com 246; “segurança”, com 240; “trabalho”, com 230; e “famílias”, com 211.
Discussão
Em 2022, o cenário era diferente: além do próprio nome do então candidato, apareciam com destaque termos diretamente ligados à campanha bolsonarista, como “Bolsonaro”, citado 990 vezes, e “@jairbolsonaro”, mencionado 438 vezes.
A mudança no discurso ficou mais cristalina durante o debate da Band, realizado no último domingo, quando Tarcísio de Freitas reagiu às repetidas menções de Fernando Haddad (PT) a Bolsonaro. Durante o confronto sobre contas públicas, pandemia, tarifaço norte-americano e propostas do governo Lula, o petista citou o ex-presidente para criticar a gestão anterior.
— Você está muito focado em Bolsonaro, Bolsonaro, você não está concorrendo com o Bolsonaro, isso foi em 2018, já passou — interpelou Freitas.
No ato, Haddad respondeu com uma provocação direta:
— Você tem vergonha do Bolsonaro?
Ainda assim, o governador negou o distanciamento evidente.
— Não tenho vergonha não, tenho gratidão. Um abraço Bolsonaro, vou agradecer sempre ao que você fez na minha vida — declarou.
Autonomia
Mas não é isso que demonstram os dados coletados nas redes. A prática mostra que o governador tem adotado uma comunicação menos dependente da figura de Bolsonaro. Segundo o levantamento, aliados e analistas veem no movimento uma tentativa de Freitas por buscar maior autonomia política, sobretudo diante da possibilidade de disputar o Palácio do Planalto em 2030.
Nos bastidores, aliados avaliam que o governador passou a ter mais liberdade depois de ser deixado de lado na corrida presidencial de 2026, com o anúncio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato. Desde então, Freitas tem buscado se apresentar como gestor e destacar entregas no Estado.
Entre os projetos usados para sustentar essa narrativa estão obras de metrô, o novo centro administrativo do governo paulista e a universalização do saneamento básico, prevista para 2029. A avaliação de aliados é que, se reeleito, Tarcísio poderá chegar a 2030 com um legado próprio para apresentar.