Os artistas de efeitos visuais costumam se esforçar para fazer com que imagens geradas por computador tenham aparência de realidade. Ao contrário, o desafio para os que trabalharam em "Sin City", de Robert Rodriguez, foi fazer a realidade ganhar aparência de algo desenhado à mão.
Para imitar e ampliar o estilo visual do criador da HQ "Sin City", Frank Miller, também co-diretor do filme, Rodriguez convocou três empresas digitais para criar mundos para cada uma das três histórias que formam o filme. A estréia acontece nos Estados Unidos na sexta-feira.
A canadense Hybride Technologies cuidou de 600 tomadas de "Hard Goodbye", a CafeFX, de Santa Monica, fez o mesmo com a história do meio, "Big Fat Kill", e a sucursal de San Francisco da empresa Orphanage trabalhou 600 tomadas de "Yellow Bastard".
Stu Maschwitz, supervisor sênior de efeitos visuais da Orphanage, recorda que estava trabalhando em tomadas de "Pequenos Espiões 3" quando tomou conhecimento do novo projeto de Robert Rodriguez.
"Li sobre o projeto e telefonei para ele imediatamente", disse Maschwitz, observando que fez o telefonema com incredulidade, em vista da relação tensa de Miller com Hollywood, em função de adaptações anteriores de suas obras.
Quando confirmou a notícia, o supervisor de efeitos especiais conta que Rodriguez foi apresentando as tomadas e permitiu que cada empresa criasse suas próprias técnicas para transferir o estilo de Miller para a tela.
O visual distinto de cada história em "Sin City" se deve em grande medida à maneira como cada empresa interpretou o estilo gráfico de Miller e depois criou um processo próprio para recriar o visual desejado.
Maschwitz observa que houve pouca discussão entre as três firmas -- algo incomum no campo dos efeitos especiais, onde diferentes empresas muitas vezes precisam colaborar para tornar os efeitos de uma semelhantes às da outra.
"A visão que Robert tinha para o filme era suficientemente ampla para incluir as idéias de outras pessoas", ele explicou.
A Orphanage, por exemplo, reconheceu que Miller desenhou imagens muito detalhadas em preto e branco, sem tons intermediários de cinza, e depois pintou as silhuetas, "diluindo os detalhes meticulosos", disse Maschwitz
Para aplicar essa estética gráfica ao campo do cinema, a Orphanage primeiro se voltou ao design de produção virtual, com a ajuda de pintores e modeladores em 3-D. Em seguida, a equipe se concentrou na iluminação, usando uma máquina chamada Brazil, criada pela Splutterfish.
Enquanto um artista solo como Miller pode alternar facilmente entre meios como o lápis, o nanquim ou a tinta, no cinema existem departamentos distintos, disse Maschwitz.
"Geralmente o designer de produção quer iluminar tudo", ele observou, para mostrar os detalhes. "E o diretor de fotografia não quer iluminar nada", para deixar o todo mais dramático.
A Orphanage optou por grandes quantidades de sombra e escuridão, mesmo que isso significasse apagar detalhes de efeitos especiais que tinham dado trabalho para ser criados.
"Não queríamos que a estilização saísse de uma estética tradicional de efeitos especiais", disse Maschwitz. "O principal, para nós, era sempre que o problema era estético, não técnico."