Em reação ao ultimato, o Irã avisou no domingo que bloquearia totalmente a circulação no Estreito caso o presidente norte-americano concretizasse a ameaça.
Por Redação, com RFI – de Washington
O presidente norte-americano Donald Trump anunciou nesta segunda-feira, de maneira inesperada, que os Estados Unidos e o Irã tiveram “discussões muito boas e produtivas para uma resolução total” do conflito, acrescentando que a guerra “continuaria ao longo da semana”.

O presidente norte-americano também informou, em sua rede Truth Social, que qualquer ataque contra usinas elétricas ou infraestruturas energéticas no Irã foi adiado “por cinco dias”. A mensagem, publicada antes da abertura de Wall Street, provocou uma queda imediata nos preços do petróleo.
Mais cedo, a mídia estatal iraniana publicou nesta segunda-feira listas de possíveis alvos de infraestrutura energética no Oriente Médio, caso o presidente americano Donald Trump cumprisse a ameaça de destruir usinas elétricas do Irã ao fim de seu ultimato, previsto para a noite de segunda.
Esses veículos, entre eles o site Mizan Online, órgão do Judiciário, divulgaram infográficos com possíveis alvos, incluindo as usinas de Orot Rabin e Rutenberg, em Israel — as duas principais centrais elétricas do país.
Outro infográfico, divulgado pela agência Mehr e intitulado “Digam adeus à eletricidade!”, apresentou alvos potenciais na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos, no Catar e no Kuwait. O material trazia a mensagem: “na próxima ofensiva contra as infraestruturas elétricas da República Islâmica, toda a região será mergulhada na escuridão”.
Paralelamente, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, prometeu destruir de forma “irreversível” as infraestruturas vitais de toda a região caso Estados Unidos e Israel ataquem centrais do Irã.
Na sexta-feira, Donald Trump ameaçou acabar com as usinas elétricas iranianas se Teerã não reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas — ultimato que expira na noite desta segunda. A rota marítima, estratégica para o comércio global, está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra desencadeada pelos bombardeios dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.
Minas navais
Em reação ao ultimato, o Irã avisou no domingo que bloquearia totalmente a circulação no Estreito caso o presidente norte-americano concretizasse a ameaça. Nesta segunda, Teerã voltou a ameaçar lançar “minas navais” no Golfo se Estados Unidos e Israel atacarem suas costas ou ilhas.
“Toda tentativa do inimigo de atacar as costas ou as ilhas iranianas levará, naturalmente e conforme práticas militares consolidadas, à colocação de diferentes tipos de vias navais, em vias de acesso e em linhas de comunicação no Golfo Pérsico e nas zonas costeiras”, afirmou o conselho de defesa iraniano em comunicado divulgado pela mídia estatal.
Segundo o conselho, a ação inclui “diferentes tipos de minas navais, inclusive minas derivantes lançadas a partir da costa.” O órgão, que atua sob a autoridade do Conselho Supremo de Segurança Nacional, foi criado após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em junho de 2025.
Porta-aviões
O USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo e peça central das operações dos EUA e de Israel contra o Irã, chegou à base naval de Creta após sofrer um incêndio no mar Vermelho. O fogo, ocorrido na lavanderia do navio, feriu dois marinheiros e danificou cerca de 100 beliches, mas não afetou sua propulsão, segundo a Marinha norte-americana.
Além do incêndio, o porta-aviões enfrentou problemas graves no sistema de banheiros, gerando críticas internas — inclusive de um senador dos EUA, que acusou o governo Trump de manter o navio em missão por quase um ano, levando a tripulação ao limite.
A retirada temporária do porta-aviões representa um enfraquecimento do dispositivo militar americano na região, já que o navio desempenhava um papel importante nos ataques ao Irã e na defesa de Israel. Antes de seguir para Creta, o USS Gerald Ford havia participado também de operações no Caribe, incluindo ações antidrogas e interceptações de navios sob sanções.
Crise energética
A tensão no Estreito de Ormuz e a crise energética levaram o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, a afirmar que a perda atual de produção — 11 milhões de barris de petróleo por dia — supera a soma das duas grandes crises do petróleo dos anos 1970.
Desde o início da guerra, o Estreito de Ormuz está praticamente parado e apenas poucos navios conseguem navegar na passagem, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de hidrocarbonetos.
Para tentar frear a alta do petróleo, os Estados Unidos autorizaram temporariamente a venda e entrega do petróleo iraniano armazenado em navios, mas o Irã negou ter qualquer excedente em alto-mar.
O bloqueio do Estreito e os ataques iranianos a embarcações no Golfo se somam ao bombardeio de infraestrutura energética em vários países da região. Segundo a AIE, ao menos 40 instalações foram severamente danificadas em nove países desde o início do conflito.