Rio de Janeiro, 20 de Março de 2026

Vorcaro firma acordo de confidencialidade com a PF para delação

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, assina termo de confidencialidade com a Polícia Federal para delação premiada, após ser transferido para a Superintendência em Brasília.

Sexta, 20 de Março de 2026 às 13:41, por: CdB

O banqueiro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal para facilitar o acesso aos investigadores do caso.

Por Redação, com CartaCapital – de  Brasília

O ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República, na noite de quinta-feira, após ser transferido para a Superintendência da corporação, em Brasília, para dar início ao processo de colaboração premiada.

Vorcaro firma acordo de confidencialidade com a PF para delação | Vorcaro assina termo com a PF e dá início à delação
Vorcaro assina termo com a PF e dá início à delação

Preso preventivamente desde 4 de março na Penitenciária Federal da capital, a transferência do banqueiro facilitará as negociações da delação uma vez que Vorcaro estará mais próximo dos investigadores do caso e terá mais acesso aos seus advogados.

O deslocamento foi feito de helicóptero, por questões de segurança. A PF também reforçou o policiamento na sede, localizada no centro de Brasília, para evitar tumulto. As investigações da PF encontraram indícios de um esquema de fraude bilionária no Master, corrupção e interferência em órgãos reguladores. Até o momento, oito aparelhos do banqueiro foram apreendidos e apenas um deles foi periciado.

Há a expectativa que nos próximos dias a PF entregue um novo relatório ao ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, com informações obtidas em outro aparelho de Vorcaro. Os resultados da primeira perícia foram vazados após serem disponibilizados à CPMI do INSS.

Encontros de Vorcaro com autoridades públicas foram citados em conversas do banqueiro com a ex-namorada, Martha Graeff, gerando um clima de suspeitas que tem contaminado o Congresso Nacional e o próprio STF.

Na Corte, o ministro Dias Toffoli também tem sido cobrado a explicar melhor sua relação com banco, desde que admitiu que uma empresa sua e de sua família venderam cotas ao fundo Arleen, ligado ao Master. Toffoli se retirou do caso após ser pressionado pelos colegas.

A interlocutores, o ministro diz que as críticas à sua relatoria tinham viés político e se retirar do processo foi uma maneira de livrar o Supremo de polêmicas.

A expectativa em torno da delação de Vorcaro é de que ele não poupe ninguém, no entanto, os termos da delação também dependem dos interesses da PGR e da PF. Caso os órgãos não tenham interesse em se indispor com o Supremo, ministros que vêm sendo citados podem ficar de fora da delação de Vorcaro.

O desfecho dessa história dependerá, contudo, do que será encontrado nos aparelhos do banqueiro. Nesta quinta-feira 19, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou que um relatório enviado pela Anatel confirma a existência de um número funcional do Supremo Tribunal Federal entre os dados obtidos com a quebra dos sigilos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Relembre o caso

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, quando estava prestes a embarcar para Dubai, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. No entanto, algumas semanas depois ele foi solto e precisou cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

A última prisão foi decretada após a PF identificar uma tentativa de interferência por parte do banqueiro nas investigações, além de intimidação a jornalistas. A decisão de Mendonça precisou ser referendada pela Segunda Turma, que já formou maioria, mas aguarda o voto de Gilmar Mendes.

O referendo, portanto, teria motivado Vorcaro a optar pela delação. Para isso, ele contratou o advogado Juca de Oliveira, conhecido por defender esse tipo de colaboração. Agora, para dar início ao processo, o banqueiro e seus advogados iniciam uma série de reuniões para definir o que entrará na delação.

Para ter validade, ela precisa ser corroborada pelas investigações. Passada esta etapa, a defesa apresenta um relatório inicial para a delação à PF e os depoimentos são iniciados. Ao final, caberá ao relator no STF homologar ou não o termo. Dependendo do resultado, Vorcaro poderá desfrutar de benefícios como a redução da pena em uma eventual condenação.

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