Bolsonaro desdenha dos pobres e desaba nas pesquisas

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Publicado quinta-feira, 11 de novembro de 2021 as 17:05, por: CdB

Por estes e outros comentários, a pesquisa PoderData feita de 8 a 10 de novembro apontou que a reprovação do governo Jair Bolsonaro bateu recorde e chegou a 61%, um aumento de três pontos percentuais em comparação com o levantamento de 25 a 27 de outubro.

Por Redação – de Brasília

Jair Bolsonaro (Sem partido) voltou a desdenhar da crise econômica e do desemprego, que afeta mais de 14 milhões de brasileiros, durante conversa com apoiadores no chiqueirinho do Palácio da Alvorada nesta quinta-feira. Creditando mais uma vez à crise econômica à “política do fique em casa e a economia a gente vê depois” – expressão criada por ele -, Bolsonaro tentou uma nova piada sem graça.

Chiqueirinho
No chamado ‘chiqueirinho’ do Palácio da Alvorada, o presidente Bolsonaro destila sua retórica sobre os assuntos que lhe interessam

— Como é que está a inflação? Já sabem quem é o culpado? Quem não fechou nenhum botequim sou eu. É impressionante, o cara broxa em casa e eu sou o culpado — e riu.

Por estes e outros comentários, a pesquisa PoderData feita de 8 a 10 de novembro apontou que a reprovação do governo Jair Bolsonaro bateu recorde e chegou a 61%, um aumento de três pontos percentuais em comparação com o levantamento de 25 a 27 de outubro. De acordo com os novos dados, 31% aprovam a administração federal, queda de dois pontos percentuais. A diferença de 30 pontos entre a aprovação e a reprovação ao governo é a maior desde a posse dele.

Desaprovação

No caso do desempenho pessoal de Bolsonaro, o trabalho dele foi avaliado como “ruim” ou “péssimo” por 57% dos entrevistados e como “bom” ou “ótimo” por 24%, e 16% o avaliaram como “regular”. Foram 2,5 mil entrevistas em 412 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Outro levantamento, Genial/Quaest, divulgado na véspera, também apontou que a desaprovação do governo Jair Bolsonaro chegou a 56%, um aumento de três pontos percentuais na comparação com o mês de outubro. Bolsonaro tem maior reprovação entre as pessoas que ganham até dois salários mínimos (60%).

Se em todo o país o mandatário desaba no conceito popular, em Minas Gerais seu desempenho é ainda pior. Pesquisa Datatempo, do diário conservador mineiro O Tempoe feita de maneira presencial, apontou que a desaprovação de Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a seu maior índice no Estado, com 65,4% em novembro. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Em setembro o percentual foi de 64,9%.

Canetada

De acordo com o levantamento, o percentual dos que aprovam Bolsonaro é de 30,4%. O índice era de 31,2% há dois meses.  Em relação ao governo Jair Bolsonaro, e não ao desempenho dele especificamente, 52% dos mineiros acham a gestão ruim ou muito ruim, percentual que era de 50% em setembro. Ao todo, 25,5% acham a administração federal boa ou muito boa – eram 23,1% em setembro.

Enquanto perde prestígio junto aos eleitores, Bolsonaro tenta abrir um espaço no Judiciário, onde responde a ações em série por atos e declarações antidemocráticas. Nesta quinta-feira, ele impôs “a maior canetada da história recente do Judiciário brasileiro. No próximo ano, ele nomeará 75 desembargadores nos seis tribunais regionais federais do país”, comenta a jornalista Mônica Bergamo, do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP).

“A avalanche bolsonarista nas cortes será possível graças ao aumento de quase 50% das vagas em cinco tribunais aprovado pela Câmara no dia 8 de novembro (serão 57 novos cargos). E também à criação de uma nova corte, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Minas Gerais, aprovada anteriormente, em outubro. O TRF-6 terá 18 novos juízes”, escreveu.

De um total de 139 desembargadores federais, portanto, o Brasil passará a ter 214. A lei que cria os novos cargos já está na mesa de Bolsonaro para ser sancionada. “A nomeação de um número tão grande de magistrados em tribunais estratégicos preocupa setores do meio jurídico, que já temem o aparelhamento da cúpula do Judiciário pelo bolsonarismo. Acima dos TRFs estão apenas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF)”, concluiu.

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