Delação mostra esquema de lavagem de dinheiro que inclui Silvio Santos

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Publicado quinta-feira, 29 de agosto de 2019 as 14:14, por: CdB

Como defesa, o SBT afirmou “que as empresas do GSS sempre pautaram suas condutas pelas melhores práticas de governança e dentro dos estritos princípios legais.”

Por Redação – de São Paulo

O site Intercept Brasil e o jornal paulistano Folha de S. Paulo tiveram acesso ao depoimento do operador financeiro, Adir Assad, que afirmou ter feito parte de um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o Grupo Silvio Santos por intermédio de contratos fraudados de patrocínio esportivo. As informações estão em anexos de seu acordo de colaboração premiada firmado com integrantes da Operação Lava Jato.

O grupo de Silvio Santos foi alvo de delação do doleiro Adir Assad por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro

Os depoimentos foram compartilhados entre procuradores do Ministério Público Federal no aplicativo Telegram. Os veículos de imprensa analisaram os depoimentos no qual Assad não menciona especificamente o apresentador e empresário Silvio Santos, mas aponta como um dos contatos no grupo o sobrinho dele Daniel Abravanel e o uso da empresa que comercializa a Tele Sena. O esquema funcionou em duas épocas distintas, segundo disse Assad ainda na época em que negociava a sua delação.

O operador disse que no fim dos anos 1990, firmou contratos superfaturados de patrocínio entre suas empresas e pilotos da Fórmula Indy e da categoria Indy Lights. Naquela época, disse, ele se relacionava com Guilherme Stoliar, que hoje é presidente do Grupo Silvio Santos. A operação foi realizada devido à necessidade do SBT de fazer um caixa paralelo. Assad estima que a operação movimentou R$ 10 milhões naquele período. Também delator, Samir Assad, irmão de Adir, confirmou a história.

Já nos anos 2000, o doleiro fez contratos de imagem e de patrocínio na Fórmula Truck e afirmou que transferia aos esportistas uma pequena parte dos valores contratados e devolvia ao SBT o restante do dinheiro e que boa parte era para um diretor financeiro.

A Liderança Capitalização, empresa responsável pela Tele Sena, pagou ao menos R$ 19 milhões para uma das firmas do operador, a Rock Star, de 2006 a 2011, diz documento elaborado na delação. A Folha apurou que o diretor financeiro das empresas de Silvio Santos à época era Vilmar Bernardes da Costa. Esta fase começou após acerto feito com Daniel Abravanel e com o pai dele, Henrique Abravanel, irmão de Silvio.

A Folha de S. Paulo apurou que o relato com acusações ao grupo dono do SBT foi incluído na versão final do acordo de colaboração do operador, firmado em 2017 e homologado na Justiça.

O capítulo que trata do grupo Silvio Santos seria enviado para a Justiça Federal de São Paulo, a quem cabe, eventualmente, autorizar medidas de investigação sobre o assunto. o doleiro, condenado em quatro ações no Paraná e no Rio por crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa, prometeu apresentar, como provas, registros da movimentação financeira de suas empresas e e-mails trocados à época.

Ele afirma que uma empresa sua, intermediária entre competidores e patrocinadores, comprava espaços de exposição de publicidade nos eventos e organizava ações promocionais nas corridas. As quantias declaradas nas notas fiscais, porém, eram muito superiores aos valores de fato dos patrocínios.

Sem se referir especificamente ao caso do Grupo Silvio Santos, Assad disse que, do valor cobrado dos patrocinadores, descontava cerca de 10%, que equivaliam à efetiva prestação do serviço. Outros 10% eram sua comissão pela sua atuação e cerca de 80% eram sacados e devolvidos a grandes empresas.

Procurados pela reportagem, o SBT e o Grupo Silvio Santos afirmaram, em uma nota, que, “por desconhecerem o teor da delação” de Adir Assad, não podem se manifestar a respeito.

“Aproveitamos para enfatizar que as empresas do GSS sempre pautaram suas condutas pelas melhores práticas de governança e dentro dos estritos princípios legais.”

Procurado pelo jornal paulistano, a defesa de Adir Assad não comenta os termos do acordo de colaboração do operador. Alguns corredores foram procurados mas ou não responderam ou disseram que não conheciam os delatores.

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