Estatal autoriza mais reajustes nos combustíveis e gera novas controvérsias

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Publicado segunda-feira, 1 de março de 2021 as 16:18, por: CdB

O atual presidente Roberto Castello Branco, no entanto, permanecerá à frente da empresa até o dia 20. A mudança ocorre no momento em que se acumulam as insatisfações por conta do aumento dos preços dos combustíveis.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A Petrobras voltou a autorizar, nesta segunda-feira, o reajuste dos combustíveis. Para a gasolina, a alta foi de 4,7% e de 5% para o diesel que sai das refinarias. A gasolina tem alta acumulada de 41,5% ao longo de 2021. No diesel, o aumento chega a 34,1% apenas no primeiro trimestre deste ano. Trata-se do primeiro aumento após o presidente Bolsonaro anunciar a troca no comando da estatal.

A Petrobras divulgou um comunicado com os novos aumentos de preços nos combustíveis

O atual presidente Roberto Castello Branco, no entanto, permanecerá à frente da empresa até o dia 20. A partir daí, o posto será ocupado pelo general Joaquim Silva e Luna. A mudança ocorre no momento em que se acumulam as insatisfações por conta do aumento dos preços dos combustíveis.

Na outra ponta, o mercado financeiro pressiona para que não haja mudança na política de preços atrelada ao mercado internacional. De acordo com a diretora da Frente Única dos Petroleiros (FUP-CUT) Cibele Vieira, resta saber se a troca de comando da Petrobras vai representar, de fato, uma mudança. Ou será apenas “para inglês ver”.

Privatização

A questão, segundo ela, é que a estatal vive uma “esquizofrenia” entre atender os anseios da população por combustíveis mais acessíveis e a ânsia do mercado financeiro por lucros no curto prazo.

— É um tapa na cara da população brasileira. A Petrobras apresentou lucro recorde no último trimestre do ano passado. Como que uma empresa estatal, em meio à pandemia, tem lucro recorde? E ainda alegam que se baixarem os preços, teriam dificuldades em caixa — protestou Cibele, em entrevista à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Em meio às tensões entre os interesses dos consumidores e dos acionistas, a empresa pretende ainda privatizar sete refinarias nos próximos meses. Em fevereiro, a Petrobras anunciou a venda da refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, adquirida pela Mubadala Capital, fundo de investimentos de Abhu Dhabi, por US$ 1,65 bilhão.

Para Cibele, é mais um sinal de que a Petrobras caminha no sentido contrário da tendência do mercado de petróleo e gás. Cada vez mais, as empresas buscam uma gestão integrada, combinando exploração, refino e distribuição. Enquanto isso, a estatal brasileira, que é exemplo dessa integração, vem fatiando seus ativos.

A saída, segundo ela, seria aproveitar a baixa da Petrobras no mercado de ações e voltar a fechar o capital da empresa, tornando-a, novamente, 100% pública. Se não isso, o governo deveria, ao menos, retirar a empresa da Bolsa de Valores de Nova York, conclui.