‘Não sou Jairzinho paz e amor’, diz Bolsonaro ao ameaçar um golpe

Arquivado em: CDB, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 12 de julho de 2021 as 18:12, por: CdB

O presidente também lembrou seu antecessor no cargo, pouco antes do golpe de Estado ocorrido em 1964. A exemplo de Jânio Quadros, que atribuiu sua renúncia a “poderes ocultos”, Bolsonaro agora diz ser alvo do boicote de “gente importante”.

Por Redação – de Brasília

No ‘curralzinho’, como é conhecido o espaço destinado aos seus seguidores à saída do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a ameaçar a democracia brasileira. Reprovado pela maioria dos eleitores, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro voltou a duvidar da lisura do sistema eleitoral brasileiro e ameaçou:

Mourão disse que à medida que vai aparecendo, nós estamos deslocando os especialistas para lá, eles fazem a limpeza e pronto, a praia está em condições de banho
O general Mourão deu sua garantia pessoal de que, embora o presidente Bolsonaro diga o contrário, haverá eleições no ano que vem

— Não sou Jairzinho paz e amor.

Ainda segundo o mandatário neofascista, ”todos queremos eleições limpas e transparentes. Porque se não for assim, não é eleição, isso é fraude”.

— Vamos fazer de tudo para que tenhamos eleições limpas e transparentes, para o bem do Brasil. Se não for assim, é sinal de que já está escolhido quem vai nos comandar. E as pessoas que chegam na fraude não tem compromisso com vocês. Não sou Jairzinho paz e amor — repetiu.

Jânio Quadros

Bolsonaro atacou, ainda, o instituto DataFolha, cuja pesquisa mais recente aponta para uma vitória folgada do ex-presidente Lula em 2022.

— Se a gente confiar no DataFolha, a gente nem vai votar. (Lula) Já está eleito, mesmo. O Datafolha disse em 2018 que eu perderia para todo mundo, até para o Cabo Daciolo — zombou.

O presidente também lembrou seu antecessor no cargo, pouco antes do golpe de Estado ocorrido em 1964. A exemplo de Jânio Quadros, que atribuiu sua renúncia a “poderes ocultos”, Bolsonaro agora diz ser alvo do boicote de “gente importante”.

— Os problemas fazem parte. Sabia que ia ser difícil, mas esperava contar com mais gente importante do meu lado. Lamentavelmente, muita gente importante aí boicota — presume Bolsonaro. A conversa foi gravada e transmitida por um canal de internet simpático ao presidente.

Responsabilidade

​O clima tenso entre os Poderes não foi superado durante o fim de semana, quando emissários do Palácio do Planalto fizeram chegar ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a irritação de Bolsonaro com as declarações do senador.

Pacheco disse na sexta-feira que não aceitará retrocessos à democracia do país e que quem agir nessa direção será considerado inimigo da nação. Ele sinalizou a interlocutores que não pretende recuar da posição que tomou.

Também na sexta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, disse que qualquer tentativa de impedir a realização de eleições em 2022 “configura crime de responsabilidade”.

Voto impresso

Sábado último, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em uma entrevista que não tem compromisso com intentos antidemocráticos e criticou manifestações políticas de comandantes militares. A sequência de posicionamentos de autoridades veio na esteira de declarações de Bolsonaro, que afirma que as eleições de 2022 podem não ocorrer caso não exista um sistema eleitoral confiável — segundo ele, o voto impresso.​

Além de Bolsonaro, o ministro da Defesa, Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas ajudaram a elevar a temperatura ao divulgarem uma nota na qual repudiavam declarações feitas pelo presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre os militares sob investigação e na mira da comissão.

Para completar o cenário de escalada de tensão, na sexta, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, reafirmou os termos de nota do Ministério da Defesa e disse que as Forças Armadas têm “base legal” para agir, sem deixar claro qual seria a ação e contra quem.

Eleições

Apesar das ameaças do mandatário ao sistema democrática, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), que representa uma parte consistente das Forças Armadas, o contradisse e, nesta segunda-feira, afirmou que as eleições presidenciais de 2022 serão realizadas mesmo que a proposta do voto impresso auditável não seja aprovada.

— As eleições serão realizadas — disse Mourão a jornalistas.

A declaração vai de encontro aos ataques feitos por Jair Bolsonaro contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em sua defesa pela mudança no sistema eleitoral. Ainda de acordo com Mourão, o vice-presidente também teria enviado uma mensagem ao  jornalista Josias de Souza, sobre as ameaças.

— Cumpro o meu papel pelo bem do Brasil. Mas eleição vai haver, eu garanto — concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code