Paulo Preto reaparece como fantasma para assombrar o futuro de José Serra

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Publicado terça-feira, 9 de janeiro de 2018 as 14:17, por: CdB

Ex-presidente da Odebrecht ao longo de uma década; atual delator da Lava-Jato, o executivo Pedro Novis acusou, frontalmente, o hoje senador José Serra de receber propina; recolhida por Paulo Preto.

 
Por Redação – de São Paulo

 

Ex-assessor de confiança do então candidato tucano José Serra, derrotado em 2010 pela presidenta Dilma Rousseff (PT); o outrora diretor da estatal paulista Desenvolvimento Rodoviário S/A Paulo Vieira de Sousa, mais conhecido como ‘Paulo Preto” aparece, mais uma vez, para assombrar os planos futuros do possível candidato do PSDB ao governo paulista. Chefe de Preto, quando ocupou o Palácio dos Bandeirantes; Serra é, mais uma vez, citado como suspeito de receber propina, no valor de R$ 52,4 milhões, entre 2002 e 2012.

Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin
Preto e Assad, envolvidos no esquema de corrupção montado nos governos Serra e Alckmin

Ex-presidente da Odebrecht ao longo de uma década; atual delator da Lava-Jato, o executivo Pedro Novis acusou, frontalmente, o hoje senador José Serra de receber para si ou solicitar para o partido repasses ilegais de obras realizadas pela empreiteira. Novis declarou à Polícia Federal (PF), em seu último depoimento, nesta terça-feira, o pagamento de propina no valor de R$ 23,3 milhões, em 2010.

Inquérito no STF

Paulo Preto teria sido o intermediário. O suborno corresponde contrapartida à liberação, pelo governo paulista, de R$ 170 milhões em créditos devidos a uma empresa do grupo Odebrecht, em 2009. Os R$ 29,1 milhões restantes foram transferidos, segundo o delator, como caixa dois eleitoral para as campanhas de 2002, 2004, 2006, 2008 e 2012.

Serra nega as acusações. Por meio da assessoria de imprensa, o senador disse que “jamais recebeu nenhum tipo de vantagem indevida de empresa ou indivíduo, especialmente da Odebrecht”. Serra diz que “nunca tomou medidas que tenham favorecido a Odebrecht em nenhum dos diversos cargos que ocupou em sua longa carreira pública; como afirmou o ex-presidente da empresa Pedro Novis em depoimento”.

Ouvido pela PF no grupo de inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, Novis demonstrou, em documentos, a origem dos R$ 23,3 milhões. Segundo seu testemunho, o dinheiro serviu para impulsionar a campanha presidencial de Serra, em 2010. O delator entregou à PF contrato do pagamento por créditos feito pela Dersa, então sob a gestão de Paulo Preto, à Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), do grupo Odebrecht. Novis disse que foram pagos R$ 160 milhões líquidos; e que calculou em R$ 23,3 milhões a parte do PSDB.

Mais podres

Tanto Serra quanto seu colega no senado, hoje à frente do Itamaraty, senador Aloysio Nunes (SP) estão citados na delação. Ambos estariam ligados a Paulo Preto, segundo informações vazadas pela Polícia Federal (PF). Ele era o arrecadador de propinas para as campanhas tucanas no Estado de São Paulo, de acordo com as investigações. Preto ainda não foi chamado para prestar depoimento sobre os mais de R$ 100 milhões amealhados ao longo dos últimos anos. Em declaração a um interlocutor, reproduzida pela mídia conservadora, o suspeito foi direto:

— Tudo o que acontecia no Dersa era de conhecimento do (José) Serra e do Aloysio (NUnes).

O ex-diretor da Dersa figura também na delação premiada do empresário Adir Assad. Este propôs um acordo de delação premiada em que detalha os repasse de a Preto. Neste caso, a manipulação da propina teria ocorrido entre 2007 e 2010; época em que Serra era governador do Estado de São Paulo.

Segundo Assad, o arrecadador ocupava cargo de mando nas obras do Rodoanel nas gestões de Geraldo Alckmin e Serra. A atuação criminosa de Paulo Preto também consta nos depoimentos de empreiteiros. Assad acrescenta que o ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (Dersa) do Estado de São Paulo recebia os repasses das empreiteiras responsáveis por obras na estatal do governo paulista.

Serra e Aloysio

Assad confessou ter usado suas empresas de fachada para lavar recursos de empresas em obras na região metropolitana de São Paulo, como o Rodoanel; a Nova Marginal Tietê, e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo a investigação policial, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, de forma fictícia, nos contratos da Dersa. O valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam quem seriam os beneficiários dos recursos. Entre 2007 e 2012, foi movimentada uma cifra em torno de R$ 1,3 bilhão em contratos fictícios assinados com empreiteiras.

A Dersa, por sua vez, afirmou em nota que é a “maior interessada no andamento das investigações; e nas eventuais punições do crime de formação de cartel”.

A SP Urbanismo diz que não foi notificada e não comentaria sobre o caso. A Odebrecht não quis detalhar os termos da leniência. Camargo e Andrade disseram que estão colaborando com as investigações.

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