Presidente admite fracasso na criação do Aliança pelo Brasil e tenta voltar ao PSL

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Publicado sexta-feira, 28 de agosto de 2020 as 15:11, por: CdB

A intenção era viabilizar a nova sigla até abril desde ano, para garantir espaço nas eleições municipais, em novembro deste ano. No entanto, o partido não conseguiu nem mesmo terminar a fase de coleta de assinaturas — conseguiu até agora validar menos de 20 mil até este mês de agosto, de 492 mil necessárias.

Por Redação – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro admitiu, nesta sexta-feira, o fracasso na tentativa de criar um partido de orientação fascista, o Aliança pelo Brasil, e admite que conversa com três legendas para uma possível filiação. Afirmou, ainda, que qualquer decisão somente ocorrerá no ano que vem.

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quer a expulsão de parlamentares do PSL que são seus adversários, antes de retornar à legenda

Em uma publicação nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que continua a tentar viabilizar a criação do Aliança, mas “em comum acordo tenho conversado com três outros partidos para o caso de não se concretizar a tempo o Aliança”.

“Nessa segunda hipótese, de ambos os lados, se impõe condições para essa filiação. Isso também decidi que somente poderia acontecer em 2021”, escreveu.

Dificuldades

Bolsonaro deixou o PSL, partido pelo qual foi eleito presidente em 2018, em novembro do ano passado, depois de uma briga com o presidente do partido, Luciano Bivar, motivada pelo controle da legenda e o acesso ao fundo partidário. Ao sair, anunciou que criaria seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil mas, um ano depois, não atingiu 4% do número necessário de filiados à legenda.

A intenção era viabilizar a nova sigla até abril desde ano, para garantir espaço para os candidatos bolsonaristas nas eleições municipais deste ano. No entanto, o partido não conseguiu nem mesmo terminar a fase de coleta de assinaturas — conseguiu até agora validar menos de 20 mil até este mês de agosto, de 492 mil necessárias.

Há duas semanas, em uma de suas aparições pela internet, Bolsonaro reclamou das dificuldades de se criar um partido e também confirmou que estaria conversando com três siglas, sem revelar quais são.

Primeiro turno

De acordo com um auxiliar do presidente, um dos partidos com quem Bolsonaro está conversando é o Patriotas, que já tentou atrair Bolsonaro em outras ocasiões, inclusive para a disputa presidencial de 2018.

Um outra alternativa avaliada pelo presidente é voltar ao PSL, onde ainda está seu filho, o deputado federal Eduardo (SP), e uma gama dos deputados bolsonaristas que, apesar da briga, não deixaram o partido sob pena de perderem seus mandatos por infidelidade partidária. Bivar chegou a admitir que existem conversas para a volta do presidente, mas há resistência de parte de parlamentares que ficaram contra Bolsonaro na disputa interna da sigla.

Na publicação desta sexta, o presidente reafirmou ainda que não pretende participar do primeiro turno das eleições para prefeito no país.

— Tenho muito trabalho na Presidência e, tal atividade, tomaria todo meu tempo num momento de pandemia e retomada da nossa economia — disse Bolsonaro.

A ressalva sobre o primeiro turno se deve, de acordo com auxiliares do presidente, à possibilidade de ele entrar na campanha do segundo turno em algumas capitais para tentar ajudar candidatos simpáticos ao governo, mas isso acontecerá somente em casos de disputas acirradas, como pode ocorrer em São Paulo e Rio de Janeiro, cidades de interesse de Bolsonaro.