Pressionados pela pandemia, governadores atropelam Bolsonaro e articulam frente anticovid

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Publicado segunda-feira, 8 de março de 2021 as 16:48, por: CdB

O país registrou na última semana epidemiológica, encerrada no fim de semana, 1.443 mortes por dia, um aumento de 31,6% ante média de 1.096 mortes diárias no primeiro pico da pandemia, em julho do ano passado. Os números ressaltam o agravamento do quadro interno, na contramão do que ocorre no exterior.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Para fazer frente à epidemia de covid-19, que avança mais no Brasil do que no restante do mundo, com um número recorde de mortes por dia desde o início da contaminação com o novo coronavírus, governadores de 22 Estados desistiram de esperar o comprometimento do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e começaram a articular, nesta segunda-feira, um pacto nacional para conter o avanço descontrolado da doença, ante o ritmo lento da vacinação e a circulação de novas variantes pelo país.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), é o coordenador do fórum dos governadores

O país registrou na última semana epidemiológica, encerrada no fim de semana, 1.443 mortes por dia, um aumento de 31,6% ante média de 1.096 mortes diárias no primeiro pico da pandemia, em julho do ano passado. Os números ressaltam o agravamento do quadro interno, na contramão do que ocorre no exterior.

Enquanto nos demais países mais afetados pela pandemia as mortes têm recuado com o avanço da vacinação, em especial nos Estados Unidos – país que concentra o maior número de óbitos –, no Brasil as mortes dispararam para mais de 10,1 mil na semana passada, à medida que a imunização caminha a passos lentos.

— A situação se agravou no Brasil com as variantes e uma vacinação muito lenta — disse a jornalistas a pesquisadora em saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Chrystina Barros.

Líder em mortes

Com menos de 4% da população vacinada e o avanço pelo país da variante de Manaus, apontada como mais transmissível e capaz de escapar de anticorpos de infecções anteriores pela covid-19, o Brasil lidera o mundo em casos novos da doença por dia em média na última semana, com quase 67 mil, à frente inclusive dos EUA, de acordo com cálculos da agência inglesa de notícias Reuters.

A variante da capital do Amazonas está presente na maioria dos casos em seis de oito Estados testados em um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além dela, também está em circulação no país a variante do Reino Unido, que também é considerada mais transmissível.

Por todo país, hospitais estão com leitos de UTI lotados. De acordo com a Fiocruz, 19 Estados têm ocupação superior a 80%, sendo que em 10 deles passa de 90%, mediante um agravamento simultâneo de diversos indicados, como crescimento de casos e óbitos, manutenção de altos níveis de incidência e alta positividade de testes.

— Assistimos, no Brasil, a uma escalda da doença. As medidas restritivas são necessárias, mas se essas medidas não conseguirem conter a covid, mais terá que ser adotado. O que queremos agora é salvar o maior número de vidas possível, não importa como — ressalta o infectologista Roberto Medronho, da UFRJ.

Pacto nacional

Mediante a falta de uma coordenação nacional para tentar conter a propagação do vírus – uma vez que o presidente Bolsonaro é negacionista e contrário às quarentenas – governadores buscam uma articulação nacional para enfrentar a situação.

Diversos Estados têm decretado, unilateralmente, medidas de restrição da circulação de pessoas, com destaque para o fechamento de todas as atividades não essenciais no Estado de São Paulo e a imposição de medidas mais rígidas de distanciamento social nas capitais Belo Horizonte e Salvador, entre outras.

Os governadores agora articulam a adoção de um pacto nacional com a intenção de reforçar as medidas preventivas até 14 de março. A proposta foi feita pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que coordena a questão da covid no Fórum Nacional dos Governadores, aos chefes de Executivo estaduais para uma definição.

Nota do PT

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse à Reuters que o grupo trabalha para que a Câmara e o Senado participem dessa coordenação nacional, além de prefeitos e secretários estaduais de Saúde. Apesar de não haver consenso entre os governadores, Dino apoia a participação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no pacto.

— Considero imprescindível. O governo federal não pode continuar a se omitir — disse o governador.

Em nota, o PT também criticou a falta de uma coordenação nacional na luta contra o coronavírus. Segundo a legenda, “diante de um presidente da República que se mostra, a cada medida que toma, disposto a sabotar o combate à pandemia de covid-19, contribuindo para a morte de mais de mil brasileiros por dia, governadores resolveram trabalhar juntos, trazendo esperança de que, unido, o país supere a gravíssima crise sanitária e econômica”.

Joe Biden

“Por meio do Fórum Nacional dos Governadores, gestores estaduais anunciarão, até o próximo domingo, medidas a serem tomadas de forma conjunta, em todo o país, para frear o avanço do novo coronavírus. Até a manhã desta segunda-feira, 22 dos 27 governadores já haviam se juntado à iniciativa”, enumerou.

— Não adianta o meu Estado fazer e outro não fazer. Isso é o que chamei de ‘enxugar gelo’, ou seja, a transmissibilidade tem que ser cortada nacionalmente. É claro que o ideal é como fazem outros países, o poder central estar fazendo isso. Os Estados Unidos não faziam na época do Trump, mas estão fazendo agora com o Joe Biden — resumiu o governador do Piauí, Wellington Dias, porta-voz dos governadores.

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