Após mais de mil prisões, Extinction Rebellion parte em um novo desafio

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Publicado sexta-feira, 26 de abril de 2019 as 13:35, por: CdB

Os manifestantes prometeram mais protestos no futuro, dizendo que a ação direta é a única maneira de levar a questão à atenção do público.

Por Redação, com agências internacionais – de Londres

Em linha com o que o artista Banksy desenhou, em um muro britânico, durante a madrugada desta sexta-feira, o movimento Extinction Rebellion, que alerta para o risco de a vida humana se extinguir, no planeta Terra, os principais líderes do grupo agora partem para uma fase mais tática, na luta em favor do meio ambiente. O novo caminho, no entanto, será ainda mais difícil.

Manifestantes marcham durante protesto do grupo Extinction Rebellion em Londres, no Reino Unido

O movimento foi fundado em maio de 2018, quando um pequeno grupo de ativistas conseguiu fazer com que cem acadêmicos assinassem um manifesto em busca de ações reais contra o efeito estufa. Alguns meses depois, as primeiras concentrações começaram, pequenas e quase sempre focadas em causar paralisações na circulação. Hoje, para saber mais, basta ligar a televisão.

– A primeira fase foi um sucesso – disse a organização em comunicado divulgado na segunda-feira. “Conseguimos fazer com que nossa mensagem chegasse inclusive aos nossos críticos.”

O movimento Extinction Rebellion persegue três ambições principais: que o governo do Reino Unido”diga a verdade sobre a mudança climática” e se comprometa a “acabar com asemissões de CO2, em 2025”, e “crie assembleias de cidadãos que velem por estas mudanças”.

O grupo anunciou que, sendo conservadores, registraram 30 mil novos membros e afirmam ter arrecadado quase 345 mil euros, por meio de doações que, na maior parte, não ultrapassam os 12 euros.

Mais de mil pessoas foram presas durante os protestos, que começaram na segunda-feira passada e são parte de uma campanha de desobediência civil pacífica com a meta de deter o que classificam como uma crise climática global.

Os manifestantes disseram que encerrarão os bloqueios em Marble Arch e na Praça do Parlamento, mas prometeram mais protestos no futuro, dizendo que a ação direta é a única maneira de levar a questão à atenção do público.

– Sabemos que causamos transtornos em suas vidas. Não o fazemos levianamente. Só o fazemos porque isto é uma emergência – disse o grupo em um comunicado na quarta-feira.

De acordo com Elise, uma garota de 25 anos que visitou várias partes da cidade, a atmosfera na Oxford Circus foi “muito positiva”. “Havia pessoas de todas as idades no Marble Arch, com bandeiras e flores, havia música e um bom ambiente, e as pessoas estavam muito atentas ao que os organizadores estavam propondo”, diz Elise.

O alcance do protesto fez com que o Partido Verde iniciasse uma rodada de contatos entre as partes presentes na Câmara dos Comuns, a deputada ambientalista Caroline Lucas também pôs em marcha uma reunião com Greta Thunberg, a jovem ativista sueca de 16 anos que se tornou a face mais reconhecível do movimento.

O movimento XR também encontrou apoio em Christiana Figueres, que era secretária da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, que incentivou as ações “corajosas e poderosas” em Londres. “A desobediência civil ocorre quando as injustiças ficam muito grandes”, afirmou Figueres em sua conta no Twitter.

No entanto, o ex-ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, não perdeu a oportunidade em sua coluna no jornal The Telegraph de mostrar seu desencanto: “Estou cansado de jovens belos me dizerem que suas opiniões são melhores que as minhas”.

 

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