Talebã quer que as mulheres, no Afeganistão, voltem a usar a burca

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Publicado domingo, 12 de setembro de 2021 as 15:04, por: CdB

Assim que as jornalistas chegaram à Faculdade de Educação da Universidade de Cabul, “passaram a se chamar ‘irmãs’, o termo recatado com que os fundamentalistas islâmicos se dirigem às mulheres quando não têm escolha a não ser se dirigir a elas”.

Por Redação, com El País – de Cabul

Novos governantes do Afeganistão, Os talebãs “começam a concretizar sua visão sobre o lugar das mulheres no Afeganistão”. A constatação é da jornalista do diário conservador espanhol El País Ángeles Espinosa, enviada especial a Cabul. “Lideradas por vários homens de turbante, cerca de 300 ‘irmãs devotadas’ expressaram seu apoio ao Emirado Islâmico e sua rejeição à democracia”, relata.

Burca
As ‘irmãs’, no Afeganistão, defendem o uso da burca, de acordo com a nova determinação do Talebã

“Cobertas totalmente de preto da cabeça aos pés, elas elogiaram o hijab (a imposição de esconder seu corpo) e insultaram a educação mista e outras influências ocidentais. Mas a exibição preparada para a imprensa estrangeira também revelou que os fundamentalistas não têm uma seção feminina: eles recorreram a alunas e professoras de várias madrassas para encher o salão”, acrescenta a correspondente.

Ainda segundo o relato de Espinosa, assim que as jornalistas chegaram à Faculdade de Educação da Universidade de Cabul, “passaram a se chamar ‘irmãs’, o termo recatado com que os fundamentalistas islâmicos se dirigem às mulheres quando não têm escolha a não ser se dirigir a elas”.

Só mulheres

“Na entrada, os guardas armados que revistavam os colegas masculinos não sabiam muito bem o que fazer com as mulheres. Não olharam nem as bolsas. Depois, lá dentro, enfrentaram suas próprias contradições”, observou.

Espinosa lembra, ainda, que o diretor do espetáculo, um talebã com inglês fluente que se identificou como Mohammad Wakkas, “insistia que só as mulheres podiam entrar no anfiteatro onde ocorreria a declaração de apoio ao sistema islâmico”.

“Isso deixaria de fora a maioria dos repórteres, cinegrafistas e intérpretes. Depois de perceber que dessa forma sua mensagem não chegaria muito longe, aceitaram que os homens ficassem em um canto, embora em seguida estes tenham se espalhado”, disse.

Al Qaeda

Em meio à entoação de alguns versículos do Alcorão,” a primeira sombra negra subiu ao palco e, com voz irritada, arremeteu contra o Ocidente”.

— Por meio da força ou da mídia, querem que nos vistamos como eles e são contra o hijab — afirmou, antes de defender o véu como algo intrínseco ao islã e à cultura afegã.

O Talibã não promulgou, ainda, normas sobre como as mulheres devem se vestir, embora tenha deixado claro que devem respeitar o hijab.

“Apenas três das participantes se cobriam com a burca, peça habitual entre as mulheres de etnia pashtun, que se encaixa como um gorro na cabeça e cobre todo o corpo, com uma pequena rede na altura dos olhos. É a vestimenta associada à anulação da mulher pelos talebãs desde sua ditadura anterior (1996-2001). Mas as que participaram deste ato de apoio ao Emirado Islâmico a usaram como as integristas salafistas, de preto e sem mostrar o rosto, um estilo que no Afeganistão se identifica com o fundamentalismo das monarquias árabes do Golfo, ou com a Al Qaeda”, concluiu.

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