Encontro marcado para a próxima terça-feira debate mudanças anunciadas esta semana pela prefeitura; medida que extingue pagamento em espécie entra em vigor no dia 30 deste mês.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Câmara do Rio realiza, na próxima terça-feira, uma audiência pública para discutir o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais e a transição definitiva para o sistema Jaé. O encontro, convocado pela Comissão de Transportes da Casa, está marcado para as 10h, no plenário do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, e deve reunir moradores, representantes da prefeitura e empresários do setor.

A audiência ocorre após o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) detalhar, em coletiva na quinta-feira, as mudanças no sistema de transporte público que passam a valer a partir do dia 30 deste mês e vão mexer na rotina dos cariocas. O cronograma já começa a ser testado de forma antecipada em uma linha da Zona Norte neste fim de semana.
Pelas novas regras, as integrações do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM) passam a ser feitas exclusivamente pelo cartão preto do Jaé — modelo vinculado ao CPF e habilitado para integração tarifária — ou pelo aplicativo do sistema de bilhetagem, via QR Code. Já os usuários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) seguem utilizando o sistema Riocard. Com a mudança, o pagamento em dinheiro vivo dentro dos ônibus deixa de ser aceito.
Presidente da comissão, o vereador Marcelo Diniz (PSD) afirma que é necessário garantir que a população tenha fácil acesso ao novo formato. “É preciso ampliar os pontos de venda do cartão Jaé e garantir que aceitem todas as formas de pagamento, como dinheiro e cartão. Esses pontos devem estar próximos das comunidades e em locais de grande circulação de pessoas, para facilitar o acesso da população ao sistema de transporte”, afirmou.
Reação na Casa
A iniciativa de retirar o dinheiro embarcado já é alvo de contestação jurídica no Legislativo. A vereadora Alana Passos (PL) protocolou uma representação no Ministério Público (MP) pedindo a suspensão da medida, além de cobrar informações formais da Secretaria Municipal de Transportes.
A parlamentar argumenta que a mudança pode excluir idosos, turistas e trabalhadores informais sem acesso a conta bancária ou familiaridade com sistemas digitais. A edil também cobra a base legal e estudos técnicos que embasaram a medida.
– O dinheiro do trabalhador continua valendo no comércio, no mercado e em qualquer lugar da cidade. Então por que ele não vai valer dentro do ônibus? O que a prefeitura está fazendo é empurrar a população para a dependência de um único sistema, sem garantir acesso real para idosos, informais, turistas e quem não vive de aplicativo. Modernizar não pode ser sinônimo de excluir – sublinha Alana Passos.
A prefeitura sustenta que a retirada do dinheiro em espécie é um passo fundamental para a modernização e segurança do sistema. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a circulação de valores nos ônibus dificulta a auditoria da receita e facilita fraudes em cartões não vinculados ao CPF. A prefeitura também alega que o novo modelo reduz o tempo de parada nos pontos e elimina a dupla função do motorista, que hoje, além de dirigir, atua como cobrador.
Linha 634 inaugura operação sem dinheiro neste fim de semana.
O novo modelo de pagamento sem dinheiro no embarque estreia oficialmente pela linha 634 (Bananal x Saens Peña). Segundo decreto publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, a partir de domingo, os passageiros do itinerário que liga a Ilha do Governador à Tijuca deverão utilizar exclusivamente meios eletrônicos para passar pela roleta.
A mudança ocorre simultaneamente a uma intervenção parcial da prefeitura na operação da linha, anteriormente gerida pelo Consórcio Internorte. A gestão será assumida pela Mobi-Rio por até 180 dias. A prefeitura justificou a medida como uma forma de garantir a regularidade do serviço enquanto o sistema sem dinheiro é testado como projeto-piloto para a expansão em toda a capital.
Atualmente, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) estima que apenas 9,2% dos passageiros ainda utilizam dinheiro nos ônibus. Segundo o Executivo, moedas e notas continuarão sendo aceitos apenas para recarga de créditos em cerca de 2 mil pontos espalhados pela cidade, além de terminais e estações. O fim da modalidade de pagamento segue dividindo opiniões entre os cariocas: enquanto alguns passageiros defendem mais segurança e agilidade, outros criticam exclusão de quem depende do pagamento em espécie.