Rio de Janeiro, 29 de Julho de 2026

China amplia exportações para Argentina, mas Brasil lidera ranking

As vendas brasileiras para a Argentina caíram 18,1% nos últimos 12 meses, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Quarta, 29 de Julho de 2026 às 21:58, por: CdB

As vendas brasileiras para a Argentina caíram 18,1% nos últimos 12 meses, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Por Redação, com Reuters – de Brasília e Buenos Aires

As exportações brasileiras para a Argentina declinaram ao longo do último ano, reduzindo a fatia do país vizinho nas vendas externas. Apesar das tensões políticas com o país vizinho, a Argentina permanece como terceiro maior parceiro comercial, mas perde espaço para a China no setor automotivo, que historicamente sustenta o fluxo bilateral.

Milei tensiona relação diplomática com o Brasil

As vendas brasileiras para a Argentina caíram 18,1% nos últimos 12 meses, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reduzindo sua participação de 5,6% para 3,7% nas vendas externas do Brasil. Mesmo com tensões políticas entre os presidentes Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o destino dos produtos brasileiros para o outro lado da fronteira fica atrás apenas da China e EUA.

Do lado argentino, o Brasil perdeu para a China o posto de principal origem das importações. Em 2025, 14,6% das vendas externas argentinas tiveram o Brasil como destino.

 

Comércio

A queda recente, porém, não é política: especialistas consultados por um jornal de grande circulação no país apontam o avanço tecnológico e a força dos veículos elétricos chineses como fatores centrais, afetando o tradicional comércio automotivo bilateral.

Em junho, as exportações brasileiras somaram US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões), enquanto as importações de produtos argentinos cresceram 3,8%, também puxadas pela indústria automotiva. A Argentina permanece estratégica para o Brasil por comprar majoritariamente manufaturados — segmento pressionado pelo tarifaço dos EUA.

A concorrência tende a aumentar uma vez que o país vizinho firmou acordo com os EUA e enfrenta a ofensiva global dos manufaturados chineses. De acordo com analistas consultados pela apuração, preservar mercados no Mercosul e na União Europeia é vital para evitar que o Brasil dependa apenas das commodities.

 

Água fria

Diante da crise aberta por Milei ao ofender o presidente Lula, a escalada nas tensões entre os dois países vem mobilizando a diplomacia, de lado a lado. Nesta manhã, o presidente Lula determinou que o governo brasileiro prefira a desescalada e “baixe a poeira” em relação ao embate travado com o contraparte portenho.

Homenageado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu aliado na ultradireita, Flávio Bolsonaro (PL), Milei aproveitou o momento para atacar, pessoalmente, o colega brasileiro. Lula, por sua vez, busca evitar que a crise política entre os dois países possa desencadear graves consequências econômicas e comerciais, prejudicando o setor produtivo nacional.

Em conversas reservadas, Lula tem ressaltado de forma categórica que o recado diplomático ao governo vizinho já foi devidamente dado. Segundo a avaliação do presidente, a convocação do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para retornar ao país constituiu uma resposta firme e à altura das críticas desferidas pelo governante argentino.

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