Interlocutores próximos a Messias avaliam que a articulação avançou de forma consistente e que a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado entrou em um momento de distensão.
Por Redação – de Brasília
O vento, no Senado, mudou de direção e agora infla as velas da candidatura de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o nome do advogado-geral da União passou a ser tratado com maior otimismo por aliados do governo após uma série de conversas entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), realizadas ainda no fim de novembro último.

Interlocutores próximos a Messias avaliam que a articulação avançou de forma consistente e que a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado entrou em um momento de distensão.
— As mensagens que chegam do entorno do presidente da República vêm no sentido de que a relação deu uma boa distensionada — disse à rede norte-americana de notícias CNN a analista política Isabel Mega.
Louvor
No círculo de apoio ao indicado, a expectativa é de que o processo de aprovação transcorra sem grandes obstáculos. A expressão usada por aliados — “aprovado com louvor” — tem um significado simbólico, ligado ao perfil religioso de Messias. Evangélico, o AGU passou a ser visto como uma ponte potencial com parlamentares ligados a igrejas e bancadas religiosas.
— Essa indicação de Jorge Messias também é um aceno do presidente Lula a essa camada da população — acrescentou Mega.
Apesar do ambiente mais favorável no Planalto, o sentimento no Senado ainda é marcado por cautela. De acordo com a analista da CNN, muitos parlamentares preferem aguardar os próximos passos formais do processo antes de demonstrar entusiasmo.
— Quando a gente vai conversar um pouco com senadores, no entanto, eles estão com uma reação um pouco mais comedida, não estão tão animados assim — observou.
Expectativa
Parte da análise mais pessimista se explica pela frustração de setores do Senado que esperavam ver o nome do senador Rodrigo Pacheco indicado para a vaga no STF. Além disso, a indefinição sobre a data da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contribui para a expectativa contida entre os congressistas.
O histórico recente do Supremo também pesa nas avaliações. André Mendonça, atual ministro da Corte e igualmente evangélico, enfrentou longa demora até ser aprovado pelo Senado. Segundo Isabel Mega, Mendonça tem atuado nos bastidores para auxiliar na construção de apoio à indicação de Messias.
A sabatina do advogado-geral da União permanece entre os temas pendentes para a retomada dos trabalhos legislativos após o recesso. Embora ainda não haja data definida, a expectativa é de que o assunto integre a agenda das primeiras semanas do Congresso, a partir de março, quando a Casa deverá dar encaminhamento formal à indicação presidencial.
A mensagem presidencial ao Senado é o instrumento que formaliza a escolha do chefe do Executivo e permite o início dos procedimentos previstos na Constituição. A partir desse ato, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pode agendar a sabatina, etapa obrigatória antes da votação do nome em Plenário.