Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Emendas ao filme sobre Bolsonaro se multiplicam na bancada bolsonarista

Deputados de SP destinam R$ 700 mil a filme sobre Bolsonaro, enquanto Eduardo Bolsonaro muda versão sobre investimento. Entenda os detalhes.

Segunda, 18 de Maio de 2026 às 20:34, por: CdB

Um dia antes da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025, o filho ’01’ como o parlamentar também é conhecido’ enviou mensagens a Vorcaro cobrando parcelas do recurso.

Por Redação – de São Paulo

Um grupo de deputados estaduais de São Paulo destinou uma série de emendas que, somadas, chegam a R$ 700 mil para empresas e instituições ligadas à produtora do filme ‘Dark Horse’ (‘O Pangaré’, na tradução livre do inglês) entre 2023 e 2026. O levantamento foi publicado nesta segunda-feira pelo diário conservador paulistano ‘Folha de S. Paulo’ com base em dados veiculados no portal de transparência do Estado paulista.

Emendas ao filme sobre Bolsonaro se multiplicam na bancada bolsonarista | Jim Caviezel interpreta o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), no filme ‘Dark Horse’ (O Pangaré)
Jim Caviezel interpreta o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), no filme ‘Dark Horse’ (O Pangaré)

Na semana passada, o site norte-americano de notícias ‘Intercept Brasil’ revelou que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo PL, pediu dinheiro ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a realização do filme. Um dia antes da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025, o filho ’01’ como o parlamentar também é conhecido’ enviou mensagens a Vorcaro cobrando parcelas do recurso.

A Go Up, produtora do filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem como sócia-administradora Karina Gama, que controla outras empresas ou instituições ligadas ao ramo cultural beneficiadas por verbas públicas. Gama, no entanto, afirma que o filme sobre Bolsonaro não recebeu dinheiro de Vorcaro, do Master ou de investidores brasileiros.

 

Origem

O caso, porém, agravou-se nesta manhã quando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro mudou sua versão sobre a participação na produção d’O Pangaré e admitiu ter investido R$ 350 mil no projeto; além de ter assinado contrato com poderes de gestão financeira sobre a obra.

Em novo posicionamento, Eduardo Bolsonaro — ou filho ’03’ como também é chamado — afirmou ser produtor-executivo do longa e disse que o valor aplicado teria origem na receita obtida com a venda de um curso, quantia que, segundo ele, foi posteriormente restituída. A declaração representa uma mudança em relação ao posicionamento anterior do ex-deputado.

Na véspera, ’03′ havia afirmado nas redes sociais que não exercia função de gestão no filme e que sua participação estaria limitada à cessão dos direitos de imagem. “Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, declarou Eduardo Bolsonaro em nota divulgada anteriormente.

 

Mansão

O novo pronunciamento, agora, amplia a suspeita de uso do dinheiro arrecadado com Vorcaro para a compra de uma mansão no Estado norte-americano da Flórida, onde reside atualmente. O ex-deputado, na nova versão do depoimento, reconhece que o aporte financeiro foi feito para viabilizar a contratação do diretor de Hollywood Cyrus Nowrasteh. Segundo Eduardo, o objetivo era garantir que o cineasta pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto.

“Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, afirmou o ex-deputado nas redes sociais.

Apesar de confirmar o investimento de R$ 350 mil e dizer que recebeu o valor de volta, Eduardo Bolsonaro não esclareceu como ocorreu a restituição nem informou quem foi responsável por devolver a quantia inicialmente destinada à produção.

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