A acusação veio à tona após a publicação de uma investigação da emissora norte-americana ‘Univisión’ e do site espanhol ‘elDiario.es’.
Por Redação, com CartaCapital – de Madri
Duas ex-funcionárias de Julio Iglesias o denunciaram à Justiça da Espanha, após relatarem em uma investigação jornalística divulgada nesta terça-feira agressões e humilhações sexuais por parte do cantor.

Fontes jurídicas confirmaram à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) que em 5 de janeiro foi apresentada uma denúncia contra Iglesias que está sob análise, sem mais detalhes.
A denúncia veio à tona após a publicação de uma investigação da emissora americana Univisión e do site espanhol elDiario.es, à qual uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta de Iglesias afirmam terem sido submetidas a agressões, assédio sexual, estupros de uma delas e humilhações.
Os fatos teriam ocorrido supostamente em 2021, nas mansões do cantor na República Dominicana e nas Bahamas. “Eu me sentia como um objeto, como uma escrava em pleno século XXI”, explicou uma das mulheres, identificada como Rebeca, na reportagem da Univisión.
– Ele enfiava os dedos por todos os lados – acrescentou a jovem dominicana, que tinha 22 anos quando ocorreram os supostos fatos.
A outra jovem é a venezuelana Laura, fisioterapeuta, que tinha 28 anos quando começou a trabalhar para o cantor.
Nem a Univisión nem elDiario.es conseguiram que Iglesias, de 82 anos, respondesse a essas denúncias. A AFP tentou, sem sucesso, contatá-lo para conhecer sua versão.
Afastado dos holofotes há anos e muito querido na Espanha até hoje, o intérprete de baladas românticas como Hey, De niña a mujer e Me olvidé de vivir cantou em vários idiomas e está entre os que mais venderam discos na história.
Abusos sexuais
Nesta terça-feira, no entanto, foi alvo de críticas, em particular no campo político. “Testemunhos arrepiantes das ex-funcionárias de Julio Iglesias. Abusos sexuais e uma situação de escravidão”, escreveu a vice-presidenta de governo, Yolanda Díaz, na rede social Bluesky.
O escritor Ignacio Peyró, autor da recém-lançada biografia de Iglesias El español que enamoró al mundo, e a editora do livro, Libros del Asteroide, expressaram sua “profunda consternação” pelos fatos denunciados.
“No momento de sua publicação não se conheciam essas acusações nem existiam referências públicas que permitissem abordá-las no texto”, mas, diante dessas novas informações, é “necessário oferecer o quanto antes uma nova edição revisada e atualizada”, prometeram.