O principal fator para a perda de ritmo do indicador foi o grupo Alimentação, que praticamente interrompeu sua trajetória de alta no período.
Por Redação, com Reuters – de Brasília e Rio de Janeiro
Um dos fatores de cálculo da inflação oficial brasileira, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) registrou alta de 0,31% na primeira quadrissemana de julho, conforme divulgado nesta quarta-feira. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador apresenta avanço de 4,26%, mostrando que a inflação ao consumidor permanece em nível elevado, apesar da desaceleração observada na leitura mais recente.

O principal fator para a perda de ritmo do indicador foi o grupo Alimentação, que praticamente interrompeu sua trajetória de alta no período. A taxa de variação passou de 0,47% na quarta quadrissemana de junho para apenas 0,01% na primeira quadrissemana de julho, reduzindo significativamente sua contribuição para o resultado geral do índice.
Além da desaceleração dos preços dos alimentos, outras classes de despesas também registraram redução em suas taxas de variação. O grupo Despesas Diversas passou de 1,30% para 0,79%, enquanto Saúde e Cuidados Pessoais recuou de 0,50% para 0,46%. Já Vestuário aprofundou levemente sua deflação, passando de -0,52% para -0,53%.
Avanços
Na outra ponta, parte das categorias monitoradas apresentou aceleração dos preços. Comunicação avançou de 0,02% para 0,84%, registrando a maior alta entre os grupos na comparação com a leitura anterior. Também ganharam força Educação, Leitura e Recreação, cuja variação passou de 0,37% para 0,58%, Habitação, de 0,37% para 0,44%, e Transportes, de 0,10% para 0,16%.
Além da queda na expectativa de inflação, analistas do mercado financeiro também observavam que a caderneta de poupança voltou a apresentar saída líquida de recursos em junho, encerrando a sequência positiva registrada em maio. Dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta manhã mostram que os resgates superaram os depósitos em R$ 237,549 milhões, configurando o menor volume de saques líquidos para um mês desde janeiro de 2012.
O resultado representa uma desaceleração importante no ritmo de retirada de recursos, embora mantenha a tendência de fragilidade da modalidade. Em maio, a poupança havia registrado entrada líquida de R$2,604 bilhões, interrompendo uma sequência de resultados negativos observada desde dezembro de 2025.
Desempenho
Os números também mostram comportamentos distintos entre as modalidades da aplicação. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) encerrou junho com retirada líquida de R$ 1,396 bilhão, após dois meses consecutivos de captação positiva. Já a poupança rural registrou depósitos líquidos de R$ 1,158 bilhão, alcançando o melhor desempenho dos últimos doze meses.
Apesar da melhora em relação aos meses anteriores, a poupança continua acumulando perdas estruturais. Desde 2021, a aplicação registra saídas anuais consecutivas de recursos, refletindo a busca dos investidores por alternativas de renda fixa com maior rentabilidade em um ambiente de juros elevados.