Rio de Janeiro, 25 de Fevereiro de 2026

Irmãos e mulher de Toffoli são chamados a depor em CPI

A CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa de Dias Toffoli. Entenda as implicações e depoimentos convocados.

Quarta, 25 de Fevereiro de 2026 às 18:47, por: CdB

O documento pede ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) “que se proceda à transferência dos sigilos bancário fiscal, telefônico e telemático, da empresa Maridt Participações S.A”.

Por Redação – de Brasília

A CPI do Crime Organizado aprovou por maioria absoluta, nesta quarta-feira, o requerimento para a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio. A empresa recebeu pagamentos de fundo ligado ao Banco Master, do banqueiro investigado Daniel Vorcaro, pela venda do resort Tayayá, de alto luxo, no Paraná.

Irmãos e mulher de Toffoli são chamados a depor em CPI | Dias Toffoli está envolvido no maior escândalo financeiro das últimas décadas
Dias Toffoli está envolvido no maior escândalo financeiro das últimas décadas

O documento pede ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) “que se proceda à transferência dos sigilos bancário fiscal, telefônico e telemático, da empresa Maridt Participações S.A”; além do envio do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da companhia ao Senado. A quebra de sigilo, pedida no requerimento de autoria do senador Alessandro Vieira, (MDB-SE), resume-se ao período de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.

 

Crime

O senador disse à coluna da jornalista Mônica Bergamo, do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, que este “é um passo histórico para o fim da impunidade no Brasil”.

— Essas relações de alta cúpula do judiciário com figuras envolvidas em crime nunca investigada. Não estamos fazendo condenação prévia, mas sim querendo esclarecer os fatos. Numa República de verdade, todos podem ser investigados, ninguém está acima da lei — afirmou Vieira.

O colegiado aprovou, ainda, a convocação de José Carlos Dias Toffoli e do engenheiro José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do magistrado que são sócios da Maridt. Os senadores também aprovaram o convite para que Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, explique seu trabalho junto ao Master. O escritório de advocacia em que ela é sócia advoga para a instituição e firmou com ela um contrato de R$ 129 milhões.

 

Conteúdo

 Os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes também precisarão explicar, no momento adequado, suas relações com o Banco Master. Já foram convocados para depor integrantes do governo de Jair Bolsonaro, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, e o ex-ministro da Cidadania João Roma.

O atual governo estão convidados o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ex-ministro do Planejamento e da Fazenda de Lula e Dilma, Guido Mantega, que trabalhou para o Master.

No requerimento aprovado pela CPI, o senador Viera requer todo o conteúdo referente à transferência de sigilo “bancário, de todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em Instituições financeiras”.

 

Valores

Pede ainda a quebra do sigilo fiscal por meio de um dossiê integrado pelo “extrato da declaração de imposto de renda de pessoa física ou pessoa jurídica; cadastro de pessoa física; cadastro de pessoa jurídica; ação fiscal (informações sobre todos os processos instaurados contra a pessoa investigada)”, alem de diversas outras certidões.

Vieira requer que sejam fornecidas “todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em instituições financeiras, além de dossiê fiscal da Maridt com informações como imposto de renda (informações sobre todos os processos, rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas)”.

O ministro, por sua vez, sempre sustentou que o negócio foi legítimo e inclusive lucrativo para os compradores. Disse também que não tinha conhecimento do fato de que o fundo que adquiriu o resort pertencia, na verdade, a pessoas ligadas à diretoria do Banco Master.

Edições digital e impressa