Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Justiça manda penhorar bens de Zambelli por uso de foto de Boulos

A ex-deputada Carla Zambelli terá um imóvel penhorado por não pagar indenização de R$ 17,7 mil pelo uso indevido de foto. Entenda o caso.

Quarta, 20 de Maio de 2026 às 12:12, por: CdB

Zambelli está presa na Itália desde 2025 e enfrenta um processo de extradição. Ela deixou o país após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ.

Por Redação, com JBr e CartaCapital – de Brasília

A ex-deputada federal Carla Zambelli terá um imóvel penhorado por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Na ação, a parlamentar foi condenada a pagar indenização de R$ 17,7 mil pelo uso indevido de uma foto de Guilherme Boulos (PSOL-SP). Como não quitou a dívida, a Justiça determinou a penhora do bem. A decisão foi publicada na segunda-feira.

Justiça manda penhorar bens de Zambelli por uso de foto de Boulos | A ex-deputada federal Carla Zambelli terá um imóvel penhorado
A ex-deputada federal Carla Zambelli terá um imóvel penhorado

A execução ocorrerá em um imóvel localizado em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo. No despacho, o juiz Ricardo Kuei Hsu, da Vara do Juizado Especial Cível de Itaquera, determinou que o “oficial de justiça deverá relacionar os bens que encontrar, ainda que entenda não serem passíveis de penhora” Os itens serão avaliados e poderão ser levados a leilão.

Em 2021, Zambelli publicou críticas a Boulos e utilizou uma imagem produzida pelo fotógrafo Peter Leone. Segundo o processo, a parlamentar não pagou os direitos autorais nem obteve autorização do profissional para usar a foto.

A defesa do fotógrafo afirmou que Zambelli “usurpou trabalho alheio”. Já a ex-parlamentar argumentou que Leone havia cedido a imagem a um banco de imagens e que, por isso, ela poderia utilizá-la sem pagamento. A justificativa, no entanto, foi rejeitada pela Justiça paulista, uma vez que a ex-deputada não comprovou no processo que a foto havia sido disponibilizada para uso livre de direitos autorais.

Zambelli está presa na Itália desde 2025 e enfrenta um processo de extradição. Ela deixou o país após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ e falsidade ideológica, assim como o hacker Walter Delgatti Neto. Ele afirmou ter sido contratado por ela para acessar o sistema do CNJ e inserir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Ela também foi condenada a cinco anos e três meses de prisão em outro processo, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O caso diz respeito à ocasião em que ela perseguiu, armada, um homem após uma discussão política em São Paulo.

Extradição

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores que adotem as providências para efetivar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália.

Na decisão, Moraes ressaltou que as garantias solicitadas pela Corte de Roma – como as de de que Zambelli não será condenada a pena de morte, prisão perpétua, penas cruéis ou tortura – já foram enviadas.

O STF também informou às autoridades italianas o local onde ela ficará presa, com imagens e detalhes das condições carcerárias.

Zambelli ficará na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, unidade que abriga presas em regime fechado, semiaberto e provisório, mantidas em alas separadas.

A Justiça da Itália autorizou a extradição de Zambelli nos dois processos pelos quais ela foi condenada no Brasil: por porte ilegal de arma e por invasão a sistemas do Conselho Nacional de Justiça.

Em outubro de 2022, ela perseguiu um apoiador de Lula (PT) nas ruas de São Paulo, apontando uma arma e proferindo ameaças.

No ano seguinte, a Procuradoria-Geral da República a denunciou por ter comandado a invasão a sistemas do CNJ para inserir um mandado de prisão contra Moraes.

Antes da conclusão dos processos, Zambelli fugiu, primeiro para os Estados Unidos, depois para a Itália. Por ter cidadania italiana, acreditou que estaria ilesa de sanções da Justiça brasileira.

Edições digital e impressa