Ação da Polícia Civil do DF mobiliza 200 agentes, prevê até R$ 1 bilhão em bloqueios e aponta esquema interestadual de tráfico e lavagem de dinheiro.
Por Redação, com CartaCapital – de Brasília
A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, na manhã desta sexta-feira, a Operação Eixo com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ao todo, foram cumpridos 96 mandados judiciais no DF e em seis Estados, com apoio de cerca de 200 policiais.

As ordens incluem 40 prisões temporárias e 56 mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas patrimoniais contra 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, como bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, indisponibilidade de bens, sequestro de veículos, imóveis e criptoativos.
A operação ocorre em regiões administrativas do DF, como Gama, Samambaia, Sobradinho e Vicente Pires, e em cidades de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina.
As investigações começaram em 2024 e apontaram a existência de uma estrutura criminosa considerada sofisticada, voltada ao abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e à ocultação de recursos ilícitos.
Segundo a polícia, há indícios de articulação com grupos criminosos de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro. Durante a apuração, foi identificada a ida de investigados do DF a uma comunidade carioca para treinamento com armas de grosso calibre, como fuzis.
Apesar dessas conexões, não foram identificados indícios de instalação formal dessas facções no Distrito Federal.
A investigação também revelou a atuação de dois núcleos principais no DF, ligados a grupos rivais. Um dos investigados tinha papel relevante na logística de envio de drogas de outros estados para abastecer o mercado local.
Os elementos reunidos indicam ainda vínculos com ambientes criminosos fortemente armados e já consolidados fora da capital federal, o que, segundo os investigadores, amplia o potencial de atuação da organização.
Lavagem de dinheiro
No eixo financeiro, a polícia identificou um sistema estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, contas de terceiros e criptoativos. Parte dos recursos era pulverizada por meio de transferências padronizadas e saques em espécie para dificultar o rastreamento.
Uma única conta investigada movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período. Também foram identificadas empresas sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em diferentes estados.
As apurações alcançam ainda investigados estrangeiros, incluindo dois colombianos e um venezuelano, apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística do grupo. Um dos colombianos foi preso na Espanha após constar na lista de difusão vermelha da Interpol.
Os investigados podem responder por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, podem chegar a 55 anos de prisão, além de multa.